Residências de classe média têm mais ácaros que lares pobres, comprova pesquisa pernambucana

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Quanto mais elevada a sua classe social, maior a probabilidade de sua casa estar coberta por ácaros. Duvida? A conclusão é da pesquisadora pernambucana doutora em biologia de fungos Ubirany Ferreira, que publica, no primeiro semestre de 2016, compilação de estudos sobre a relação de poeira e ácaros desenvolvidos desde 1995.

A conclusão não quer dizer que uma residência seja, necessariamente, mais limpa que outra, mas que moradores de lares onde há condições financeiras mais favoráveis possuem mais locais propícios para o acúmulo de poeira, a exemplo de tapetes, cortinas e estantes de livros.

A responsável pela descoberta ficou surpresa com o resultado na primeira pesquisa realizada, em 1995, mas logo encontrou o motivo e seguiu com os estudos para comprovar cientificamente a teoria. Hoje, ela é capaz de explicar com detalhes como controlar a população de ácaros de uma residência.

Ao todo, foram sete municípios pesquisados, entre a Mata Norte de Pernambuco e a Região Metropolitana do Recife. Em Paudalho, na Mata Norte, a diferença foi a mais marcante. Foram encontrados 63 ácaros em casas de classes média e nenhum em lares de classes baixas. Mas, apesar de não encontrar ácaros nas casas mais pobres de Paudalho, Ubirany afirma que não é possível haver uma população zerada desses animais. “É possível ter um maior controle da população de ácaros seguindo algumas regras, mas é impossível erradicá-los”, explica. “Sofás, almofadas, tapetes, camas e ursos de pelúcias são os locais preferidos desses fungos. É onde ficam a poeira, restos de alimentos, pele morta que vamos descamando durante o dia. Tudo isso é comida para ele”.
Apenas em Tracunhaém a presença de ácaros foi a mesma, independentemente da classe social de seus moradores.
Para a realização da pesquisa, a poeira de vários locais de cada casa é coletada em um saco descartável e analisada com uma lente de aumento. Os ácaros são transportados com um estilete molhado com um líquido especial até o microscópio, onde é identificado. Créditos: Herivelton Marculino e Ubirany Ferreira/cortesia.
No entanto, a conclusão do estudo aponta que as casas tinham sido limpas pouco tempo antes da coleta. Os detalhes completos das pesquisas em todos os municípios, porém, só serão divulgados após publicação científica das pesquisas, o que deve ocorrer em 2016. Registros como a imagem de um ácaro capturado em Araçoiaba (foto).
Em Pernambuco, há dois tipos de ácaros comprovadamente causadores de alergias, segundo a professora Ubirany. Eles se diferenciam apenas na nomenclatura, mas seus hábitos são iguais. O clima quente e úmido do litoral pernambucano, por exemplo, favorece a proliferação dos dois fungos.
Ubirany Ferreira. Créditos: Maria Luiza/UPE.
“O ácaro em si não é nocivo para nós, mas suas fezes, que ficam no ar, e suas esúvias (carapaças) que vai eliminando ao crescer – processo análogo ao crescimento de uma cobra”, explica.  

Agora é hora de fazer o teste. Quem domina sua casa: você ou os ácaros?

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Paulo Trigueiro

Paulo Trigueiro

Repórter

Paulo é estudante de jornalismo e graduado em psicologia. Escreve para o Diario desde 2013. Até onde se sabe, esta também foi a última data em que limpou seu ventilador.

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