Recife vertical: os 10 prédios mais altos da capital pernambucana

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Recife recebe, nos anos de 2016 e 2017, duas novas torres que serão consideradas as mais altas da capital pernambucana. Tornando-se cada vez mais vertical, o conceito volta à pauta, bem como a qualidade de vida e urbanização que se deseja para a cidade

 

Um dos mais de cem prédios em construção no Recife deve se tornar o mais alto da terceira capital mais vertical do Brasil. O Jardins Aurora foi projetado para ter 140,5 metros de altura, em plena Rua da Aurora. Prevista para ser entregue em 2017, a torre reflete a tendência de verticalização da cidade.

De acordo com a presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (Departamento PE), Vitória de Andrade, há quase 20 anos o debate sobre a ocupação da cidade foi esquecido. “A Lei dos 12 bairros (1997) foi a última ação decente que se fez”, lembra. Para ela, o cenário da capital permite diferentes tipos de ocupação, porém, considerando variáveis como saneamento, mobilidade, etc., nenhuma deveria exceder 11 andares.

“A questão não é ser contra ou a favor da verticalização, mas que houve um desmonte da estrutura de planejamento e, hoje, há caos. Estuda-se o impacto de um único prédio, enquanto em um bairro são erguidos oito, como na Ilha do Leite, em 2013. Esquecem a microrregião”, adverte, lembrando da possível saturação de redes como a elétrica e sanitária.

140,5 metros - O prédio Jardins Aurora, em construção no bairro de Santo Amaro será o mais alto da cidade, com seus 45 andares. A previsão de conclusão é o ano de 2017

Jardins Aurora – O prédio, em construção no bairro de Santo Amaro, será o mais alto da cidade, com seus 140,5 metros e 45 andares. A previsão de conclusão é o ano de 2017

Top mundial

  1. Kingdom Tower (Jeddah, Arábia Saudita)
    1.000 metros | Uso múltiplo
    Conclusão em 2019
  2. Burj Khalifa (Dubai, E. Árabes)
    828 metros | 160 andares
    Uso múltiplo | Concluído em 2010
  3. Makkah Royal Clock Tower (Meca, Arábia Saudita)
    601 metros | 95 andares
    Hotel | Concluído em 2012

Segundo o Diretor da Moura Dubeux, Eduardo Moura, construir o maior edifício do Recife não foi intencional, e também não gerou saldo de compensação ambiental. “É exigido um Memorial de Justificativa de Impacto, sobre o entorno e a mobilidade. Além disso, é necessário ter licença ambiental, mas não estudo de impacto. Construímos em áreas já modificadas pelo homem. Não estamos na selva amazônica, mas no Recife”, sentencia.

Em construção, o futuro 2º lugar no ranking, o Empresarial Charles Darwin, também realizou o estudo de impacto no trânsito. Aprovado, abrirá 813 vagas de estacionamento às margens da Avenida Agamenon Magalhães, uma das mais movimentadas da cidade.

 Os 10 prédios mais altos do Recife (já concluídos)

é a proporção do mais do mais alto prédio do mundo em relação ao mais alto do Recife

é o quão alta será a mais alta torre do Recife

Com 1,5 mil torres, Recife fica atrás do Rio e de São Paulo em edificações de grande porte – mais de 35 metros e 12 andares. No entanto, com pouca dimensão geográfica, a concentração é de sete por km², quase o dobro da capital paulista, com 6,1 mil edifícios, quatro por km².

Para a urbanista e ex-presidente do Instituto Pelópidas Silveira, Evelyne Labanca, a cidade não pode deixar de construir prédios e a questão não é se verticalização é ruim, mas como os edifícios se relacionam com o coletivo na altura do solo. “O município cresceu desarticuladamente com a rede de infraestrutura. Temos agora que promover a melhor relação entre o morador e o espaço urbano e visar o futuro”, explica.

Nesse sentido, ela exemplifica as faixas exclusivas de transporte coletivo e a tentativa de descentralização urbana para reduzir deslocamentos ou leis como a de telhados verdes em edifícios, o que deve ter impacto na sensação térmica e reduzir alagamentos. “Barcelona tem a população do Recife, com metade do território e prédios bem mais baixos. Adensamento populacional não gera qualidade de vida. Temos que mudar o conceito de cidade”, diz.

Processo não é restrito ao Recife

Sendo capital, o Recife acaba guiando muitas das diretrizes urbanística que serão adotadas pelos municípios vizinhos. Na Região Metropolitana do Recife, em especial nas proximidades da orla marítima, o processo de verticalização vem se acentuando, do município do Paulista ao Jaboatão dos Guararapes. Com investimentos voltados à exclusividade e ao público de renda mais elevada, o Cabo de Santo Agostinho ainda não constrói o mesmo tipo de torre comum às cidades vizinhas.

Ed Wanderley

Ed Wanderley

Repórter multimídia

Ed é repórter do Diario, desde 2010. Escreve sobre questões ligadas aos Direitos Humanos, Desenvolvimento Social e Cultura. Coordena o projeto CuriosaMente. Cresceu em casa – não sabe o que é ser menino de prédio. Prefere altos morros e árvores a arranha-céus.

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