Recife dos ratos: 2 em cada 5 casas checadas estão infestadas

Ricardo Fernandes/DP

O bairro do Córrego do Jenipapo, na Zona Norte do Recife, é o único que se manteve com menos de 10% das casas infestadas por ratos em todo o ano de 2015, na capital pernambucana. A constatação é da Gerência de Vigilância Ambiental. No município como um todo, em quatro de cada 10 casas, os recifenses dividem espaço com os roedores. No bairro mais afetado, Joana Bezerra, 100% das residências pesquisadas continham sinais de atividade dos roedores – mais de 200 casas. A atualização de 2016 deve ser realizada no primeiro trimestre.

Canais, entulhos, pedras e áreas com disponibilidade de alimentos, como restos de comida, são áreas propícias para a infestação – nem mesmo a água salgada e o efeito da maré afungentam os roedores quando as condições são ideais, a exemplo da Praia de Boa Viagem, onde, nas proximidades dos quiosques, é possível visualizar grandes ratos vivendo na barreira artificial junto à orla.

O mapa é atualizado sempre nos meses de janeiro e julho e finalizado ao final de cada semestre

 

De acordo com o gerente de vigilância ambiental do Recife, Jurandir Almeida, toda intervenção deve ser estudada e bem feita, uma vez que alteração ambiental pode, na verdade, ampliar as colônias de ratos, em vez de exterminá-las. “É preciso matá-los todos de uma vez. Se restam alguns nas colônias, elas podem se multiplicar de tamanho”, explica. Sobre as formas de controle, ele reforça a proibição e ineficiência de raticidas preferidos pela população (ao lado). “É necessário intervir aos poucos. Nosso raticida é colocado com cores e sabores (até de chocolate) para ser atraente e leva de 3 a 7 dias para provocar a morte, de fato. No entanto, desprecavidos, todos os ratos ingerem o veneno, que causa hemorragia interna e a colônia inteira acaba controlada”, explica.

Até mesmo as ratoeiras adesivas, que evitam que o animal se comunique com os demais, não é recomendado pelo gerente. “Não adianta pegar um ou dois, mas solucionar o problema”. Várias vezes, é o denunciante o responsável pela vulnerabilidade de um terreno aos ratos, o que, por lei, poderia render multa. Até o momento, no entanto, a opção tem sido por solução e educação.

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Chumbinho

Um total de 30 pessoas morreram em Pernambuco por conta de intoxicação por chumbinho, em 2015, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. O número representa um aumento de 76% em relação ao ano anterior, quando 17 pessoas faleceram por conta de complicações com o agrotóxico utilizado como raticida. Além disso, 229 pessoas foram atendidas por intoxicação no estado, 41% mais vítimas que em 2014 (160). O número chama a atenção porque a substância é proibida no Brasil e considerada pouco eficaz contra colônias de roedores.

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