Morador de rua improvisa agulha e sobrevive de tricô

Rosa Kelles / Divulgação

Pelas ruas de Belo Horizonte, a arte está literalmente em boas mãos. Com 39 anos de idade, Gleiton Malafaia vive em situação de rua e ganha a vida vendendo suas peças de tricô. Cachecóis, tapetes e forros de mesa, das cores mais diversas, são algumas de suas produções. Apesar da condição da vulnerabilidade, esse tem sido o sustento de Gleiton há cerca de 3 anos.

O artesão revelou que aprendeu a fazer crochê durante os oito anos em que esteve detido numa penitenciária em São Joaquim de Bicas. Segundo ele, um desentendimento com outro morador em situação de rua o levou a cometer crime de homicídio. Ele assume e reconhece que precisava viver as consequências. “Eu me entreguei à polícia. Enquanto pagava pelo crime que cometi, fui me tornando uma pessoa melhor e me envolvi nas aulas de crochê”, disse.

O material usado por Gleiton é guardado de modo improvisado, porém, com muito esmero. As agulhas de alumínio ficam dentro de uma caixa de óculos que ele encontrou na rua e as linhas são acomodadas numa sacola plástica, junto com algumas revistas temáticas sobre crochê achadas ou doadas. Sobre a arte que faz, o rapaz comentou que suas produções oferecem uma nova perspectiva de futuro.“É minha terapia. Enquanto teço, penso na vida que eu ainda quero para mim”, pontuou, em entrevista ao Jornal O Tempo.

Gleiton contou que o preço de suas peças variam entre R$ 50 e R$ 150 e, com isso, consegue faturar semanalmente uma média de R$ 200. O dinheiro recebido serve para o sustento e para uma poupança. Através dessa economia, o artesão planeja alugar um quarto para sair, o mais rápido possível, da situação de rua. Apesar da grande história de superação que tem, Gleiton afirma que ainda quer transformar algumas áreas de sua vida. “Vivo uma das minhas fases mais tranquilas, mas até hoje não consegui ficar livre do crack e da maconha. É muito difícil”, afirmou.

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