“Doença da urina preta” é causada por peixe intoxicado

Pixabay/Reprodução

Pesquisadores baianos confirmaram que a misteriosa “doença da urina preta”, que acometeu mais de 50 pessoas no final do ano passado (levando duas à morte), trata-se da Síndrome de Haff, como indicavam as suspeitas mais recentes. Assim, foram totalmente descartadas as possibilidades de que o mal foi causado por um novo vírus ou bactéria.

Em dezembro, a Secretaria de Saúde da Bahia entrou em alerta após 15 pessoas apresentarem sintomas como dor muscular intensa, urina de coloração preta e insuficiência renal, em Salvador e no litoral norte do estado. Ainda naquele mês, o jornal Tribuna da Bahia havia informado que pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Fundação Oswaldo Cruz suspeitavam de que se tratava de um novo surto da Síndrome de Haff, que já havia sido registrado no Brasil em 2008 e, em outros anos, em países como EUA, Rússia e Suécia.

A Síndrome de Haff é causada pelo consumo de peixes ou crustáceos contaminados por um vírus ou uma toxina. A ingestão da carne contaminada causa elevação nos níveis da enzima creatina fosfoquinase (CPK), o que causa os sintomas relatados em cerca de 24h.

De acordo com o portal G1, o médico infectologista Antonio Carlos Bandeira e outros 11 pesquisadores conduziram o estudo que confirmou a ocorrência da doença, após analisarem amostras de sangue, fezes e urina de quinze pacientes que apresentaram os sintomas. Destes, 14 afirmaram ter ingerido peixes como olho de boi (seriola spp) e badejo (mycteroperca spp) – o último paciente disse ter consumido pratos típicos baianos, que podem ter usado algum desses peixes em sua composição. Mas há uma diferença significativa: em outros casos registrados, a Doença de Haff se desenvolveu após o consumo de peixes de água doce – enquanto as espécies citadas são peixes de água salgada.

Ainda que os pesquisadores já tenham certeza quanto à natureza da doença, ainda não se sabe exatamente por qual substância os peixes foram intoxicados. Uma amostra da carne do peixe consumido por uma das pacientes foi enviada para um laboratório norte-americano para análise, mas os resultados ainda não foram divulgados.

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