Poesia sobre o Recife: os locais que inspiraram grandes poetas brasileiros

Os recantos da capital pernambucana presentes em obras de autores consagrados da literatura nacional mapeados

 

Há certas nostalgia e reverência quando se ouve versos de canções como La Belle de Jour (“Eu lembro da moça bonita da Praia de Boa Viagem“) ou Leão do Norte (“Eu sou mameluco, sou de Casa Forte, sou de Pernambuco“). Isso porque a citação de locais bem conhecidos trás quem consome informação para perto, envolve… Essa é uma lição que compositores tiraram da poesia feita muito antes da época de CDs e streaming, em que o envolvimento de um leitor estava diretamente proporcional à capacidade de emocionar em um texto. E boa parte dessa emoção teve o Recife como cenário, nas obras de diversos poetas brasileiros, muitos deles nascidos bem longe de Pernambuco.

De acordo com o professor do programa de pós-graduação em Letras da UFPE Anco Márcio Tenório de Araújo, a capital pernambucana pode ser encontrada na obra de quase todos os grandes autores do país. Sobre ela versaram Gregório de Matos, Bento Teixeira, Castro Alves, Gonçalves Dias, além de Carlos Drummond de Andrade, Augusto dos Anjos, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e, claro, João Cabral de Melo Neto.

“O que encanta no Recife? O encontro dos rios com o mar, da planície com os morros que a cercam, os contrastes sociais, as relações do novo com o antigo, do erudito com o popular, as revoluções libertárias e os conflitos ideológicos. Todas esses temas perpassam as obras que tomaram o Recife como a sua matéria-prima”, opina o professor.

Anco Márcio Tenório Vieira. Créditos: Divulgação.

Anco enumera os temas específicos preferidos pelos autores: O rio, o mar, as cheias, as pontes, o mangue, a miséria, a decadência econômica e os sobrados.“Existem dois espaços que, em geral, são contrapostos nas obras literárias: o campo e a cidade. Um como uma espécie de reencontro do homem com o paraíso perdido, com a infância da humanidade. O outro, o espaço urbano, como o espaço da liberdade, da diversidade, do mundo em movimento, do novo”, explica. Vieira cita o neologismo “rurbano”, criado por Gilberto Freyre para definir um espaço limite entre os dois, como o Recife. São comuns poesias que evoquem o Recife trazendo as duas características.

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Paulo Trigueiro

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Repórter

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