Manuscrito do século 3 muda origem do número zero

Bodleian Libraries Reprodução

Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, divulgaram, pela primeira vez, o manuscrito indiano Bakhshali, o qual registrou, até onde se sabe, a primeira origem para o símbolo zero do mundo. Através de datação por carbono, os pesquisadores julgaram que o material, de muita relevância e significado para a história da matemática, é do século 3 ou 4 e é cerca de 500 anos mais antigo do que os cientistas pensavam. A primeira inscrição do zero até então datava do século 9, gravada na parede de um templo indiano.

O primeiro uso do símbolo zero foi visto na Índia e feito para indicar a magnitude em um sistema numérico. Apesar de evidências da utilização do numeral em outras culturas, como por exemplo a maia e a babilônica, a descoberta do manuscrito é fundamental por dois motivos: primeiramente, este foi o ponto que conduziu a matemática para um centro oco, que é usual até os dias de hoje. Uma outra razão é que o território indiano foi o único em que o símbolo evoluiu para ser um número por direito próprio, no ano de 628 d.C. Foi nesse momento, inclusive, que o matemático Brahmagupta escreveu o primeiro documento para argumentar e propor o zero como um numeral.

O Bakhshali é formado por 70 folhas frágeis de cascas de bétula, composto por um material de cerca de três períodos históricos diferentes. “Hoje, damos por certo que o conceito de zero é fundamental no mundo digital. Mas a criação dele como um número em seu próprio direito, a partir do símbolo de ponto reservado encontrado no Bakhshali, foi um dos maiores avanços na história da matemática”, comentou Marcus du Sautoy, professor de matemática vinculado a Oxford, à agência de comunicação da universidade. Richard Ovenden, bibliotecário de Bodley, reforçou a fala de Marcus. “Determinar a data do manuscrito é de vital importância para a história da matemática e o estudo cultural do sul da Ásia Menor”, disse.

O documento é de conhecimento científico desde 1881, quando foi encontrado enterrado em um campo de uma aldeia chamada Bakhshali. Em 1902, o material foi entregue à Biblioteca Bodleian, onde estava sendo mantido até hoje.

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