Lei que proíbe sacrifício de animais entra em vigor após suicídio de veterinária

Chien Chih-cheng/Arquivo Pessoal

Uma nova lei proibindo o sacrifício de animais em Taiwan entra em vigor a partir do dia 4 de fevereiro de 2017. Além disso, os orçamentos para os abrigos aumentaram em 40%, haverá mais inspetores e as pessoas que quiserem abandonar seus animais em um abrigo vão ter que pagar uma taxa alta – cerca de US$ 125, equivalente a cerca de R$ 390. A implantação da lei ocorre um ano após o suicídio da veterinária Chien Chih-cheng que, em sua carta de despedida, disse: “Eu espero que minha ida faça com que vocês percebam que cachorros abandonados também são vidas. Espero que o governo entenda a importância de controlar o problema. Por favor, valorizem a vida”. Em dois anos, a veterinária já havia sacrificado 700 cães.

A veterinária e amante de animais Chien Chih-cheng se dedicava integralmente ao seu trabalho. Ela trabalhava até tarde e quase nunca tirava uma hora para o almoço, disse seu colega de trabalho Winnie Lai, segundo a BBC Brasil. Chien cuidava pessoalmente de cães abandonas em Taiwan. Em 5 de maio de 2016, Chien se matou usando a mesma droga usada no sacrifício de cães. O caso teve uma repercussão e impacto muito grandes no país; por se tratar de uma pessoa tão jovem, levantou um questionamento sobre a pressão suportada por pessoas que trabalham na área de proteção e cuidado de animais.

Flickr/Reprodução

Os detalhes envolvendo as práticas de Chien foram muito mal vistas pelo público e as respostas ao seu tratamento dos animais foram hostis. “Eles a chamaram de açougueira. Algumas pessoas diziam que iríamos para o inferno. Eles dizem que nós gostamos de matar e que somos cruéis”, disse Yu-jie, outro funcionário que trabalhava com Chien.

Apesar de a equipe não querer sacrificar animais, Chien via essa como sendo a solução menos dolorosa para os animais que ficavam envelhecendo sem ser adotados e correndo risco de pegar doenças por causa da superlotação do local. “As pessoas continuam a abandonar seus cachorros. Você ouve todos os tipos de motivos: o cachorro é muito bravo, ou não é nem um pouco bravo, ou late muito, ou não late o suficiente”, contou Yu-jie.

Alguns jornais acusaram o governo de ter assassinado a veterinária pelas condições nas quais ela trabalhava. Quando Chien morreu, ela já sabia que a nova lei seria aplicada, mas as autoridades dizem que isso não tem relação com seu suicídio. Mesmo assim, o governo prometeu aumentar os recursos e oferecer apoio psicológico as equipes que trabalham em abrigos.

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