Dois planetas são descobertos por cientistas brasileiros

The STScI Digitized Sky Survey / Divulgação

Após a descoberta de um planeta semelhante a Júpiter em 2015, equipes de cientistas lideradas por astrônomos brasileiros descobriram dois novos planetas, o super-Netuno e a super-Terra, ao redor de uma estrela parecida com o Sol, que tem seis bilhões de anos e está a 300 anos-luz de distância da Terra, conhecida como HIP 68468.

A descoberta dos novos planetas foi publicada na revista “Astronomy e Astrophysics” e ocorreu durante observações por um período de 43 noites entre 2012 e 2016, a partir de movimentos sutis entre planetas e astros em um instrumento acoplado ao telescópio do Observatório Europeu do Sul (ESO), no deserto do Atacama, no Chile.

O astrônomo líder da pesquisa e professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), Jorge Melendez, disse ao G1 que um dos um dos principais objetivos do estudo era comparar o nosso Sistema Solar com outros sistemas planetários. O super-Netuno, chamado de HIP 68468c, tem massa 50% maior à do planeta Netuno. Já a super-Terra, chamada de HIP 68468b, tem uma massa equivalente a três vezes a terrestre e órbita equivalente a apenas 3% da distância Terra-Sol.

O estudo constatou que os novos planetas migraram para uma região mais próxima do astro, o que aumenta o risco de serem engolidos pela estrela, que já tem esse histórico. Segundo Melendez, observar esse sistema planetário em que existe uma migração dos planetas da área mais externa para a mais interna ajuda a entender a dinâmica do nosso Sistema Solar. “Se os planetas migrassem no Sistema Solar, nosso planeta ficaria desestabilizado, com órbita caótica e sob risco de colidir com outro planeta, ser ejetado do Sistema Solar ou seguir em direção ao Sol”, afirmou o astrônomo.

Uma das propostas dos cientistas para explicar a razão pela qual isso não acontece é a de que Júpiter atuaria como uma barreira que não permitiria que os planetas gigantes do Sistema Solar migrassem para as regiões mais internas. O projeto a médio e longo prazo é procurar um planeta gêmeo da Terra. “Isso vai ser possível muito em breve porque tem um instrumento no ESO que vai ter tecnologia suficiente para poder detectar esse tipo de planeta”.

A equipe que descobriu os planetas também conta com pesquisadores do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade de Chicago, Universidade do Texas em Austin, Universidade Nacional da Austrália, Universidade de Göttingen, Academia de Ciências da China, Instituto de Astronomia Max Planck e Instituto de Ciência Telescópio Espacial.

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