Estudo identifica genes ativos até 4 dias após a morte

Fiocruz  Creative Commons

Um estudo da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, detectou mais genes que funcionam no corpo humano até quatro dias depois da morte. Entre eles, o gene do desenvolvimento, até então só encontrado nos embriões, ajudando na formação do feto. O resultado, observado em peixes e camundongos, surpreendeu a alguns pesquisadores, mas surgiu como uma possível resposta a questionamentos feitos pela ciência.

Ao todo, 37 mil genes de cada animal foram analisados a partir da hora da sua morte. Desses, 500 continuaram ativados ao longo de quatro dias. Uma hipótese levantada pelos pesquisadores para a presença do gene do desenvolvimento é de que logo após a morte, o corpo humano fique em situação semelhante ao de um feto.

A ativação de genes que influenciam no surgimento de diversos tipos de câncer também foram encontrados no estudo e podem explicar o maior risco de câncer em receptores de órgãos transplantados. “O risco de câncer entre essas pessoas é semelhante ao daqueles que são HIV positivo”, explicou Eric Angels, do Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos ao portal Science Alert. “Nós podemos conseguir muita informação sobre a vida estudando a morte”, declarou o microbiologista Peter Noble, autor do estudo, à Science Magazine.

O estudioso já havia identificado alguns poucos genes humanos que permanecem ativos até 12 horas após a morte. A condução do estudo em peixes e ratos conseguiu não apenas identificar um total de 1.063 genes ativos após a parada cardíaca, respiratória e circulatória, como foi capaz de identificar alguns deles que aumentaram a atividade após a morte declarada. O teste foi realizado com um RNA “mensageiro”, um marcador azul aplicado sistematicamente nas células para verificar “retorno” do organismo e, assim, identificar genes ativos. Entre os identificáveis, estão o sistema de estímulo às defesas do corpo, à inflamação ou mesmo ao alívio do estresse – além de alguns apenas identificados antes do nascimento, na forma embrionária.

Os resultados do estudo lançam luz em duas discussões. Uma delas é sobre, de fato, o momento da morte. Isso porque os genes não são fortes o suficiente para “reanimar o organismo” – descartando a lógica de transplante corporal ou de criar-se um “organismo zumbi”, famosos na ficção científica. Outra é sobre a questão do transplante de órgãos, condicionados a prazos menores do que o de inatividade de alguns do genes identificados, o que pode vir a explicar as razões pelas quais 32 tipos diferentes de câncer têm maior probabilidade de desenvolver-se em pacientes transplantados.

O estudo completo pode ser acessado em duas publicações: 1 e 2. A ideia é que pesquisadores de todo o mundo possam verificar os resultados antes de divulgação científica em jornais médicos, evitando que conclusões sejam alcançadas de forma precoce.

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