Após 50 anos, alunas de colégio se reúnem no Recife

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Antigas estudantes do Colégio Nossa Senhora do Carmo participaram de missa que marca cinco décadas de amizade iniciadas na escola

 

As casas viraram grandes empresariais e as tranquilas ruas, corredores de ônibus; onde antes havia silêncio, hoje há caos. A mudança do bairro da Boa Vista foi um dos motivos que fez o Colégio Nossa Senhora do Carmo fechar no ano de 2011. Os vínculos criados na instituição, porém, continuam preservados. Cinquenta anos depois da formatura, cerca de 30 mulheres da turma de 1966 voltaram a se reunir no local, hoje sede da Faculdade de Direito Facipe, que preserva a mesma fachada das nove décadas de funcionamento da escola católica.

Passar pelas portas da instituição é voltar ao passado, com o conservado pátio e a organizada capela, sede de tantas eucaristias e casamentos a alimentar memórias. É o que faz o grupo em todo final de ano. Agora mães e avós, as mulheres batem a marca de meio século de formadas no Ensino Médio. Vem delas, que passaram a década de 1960 entre as freiras beneditinas, o exemplo de como manter contato mesmo após tanto tempo – ou da falta dele.

Algumas chegaram ainda no primário e nem a divisão “científico x pedagógico”, que determinava quais se tornariam professoras e quais teriam outras profissões, foi capaz de separá-las. Nos primeiros anos, cartas e telefonemas deram conta das reuniões, gradualmente facilitadas pela tecnologia. Depois de tantos anos, a maioria mudou de endereço. Casa Amarela, Casa Forte, Boa Viagem e Pina, polos tão distantes, foram unidos com uma simples decisão: a cada mês uma reunião seria feita em um shopping da Zona Norte e Zona Sul do Recife. “Todo mês a gente se comunica para marcar. Às vezes é pelo celular ou até em grupos do WhatsApp”, comenta Lúcia Cunha, 68, ex-aluna e organizadora da missa, em que as mulheres se reuniram em êxtase. Com direito a risos, gritos, além de várias fotografias e histórias desenterradas.

Nando Chiappetta/DP

A relação com a escola – que ensinou a crianças e adolescentes durante 92 anos – moldou a vida de muitas das ex-alunas. Para Lúcia, que ali encontrou a vocação de professora, a estrutura do Nossa Senhora do Carmo permitiu que ela contribuísse na formação de outras turmas.

“Depois de formada, passei 12 anos trabalhando como professora no colégio”, lembra. As recordações antigas e atuais, como a foto da primeira turma de crianças sob os cuidados dela e as homenagens de antigas alunas, são guardadas com zelo em álbuns de foto e imagens plastificadas.

As memórias se misturam com a satisfação de ver o grupo reunido depois de tantos anos. Os momentos de silêncio são raros, restritos à missa ou às poucas pausas para fazer mais um registro do momento. Muitas gostam de contar como aprenderam com aquele lugar. Outras, como dona Zuleica Cerqueira, 72, e Rosa Gonçalves, 68, gostam de lembrar do momento no qual selaram matrimônio naquela capela. “Meu casamento foi celebrado por dom Fernando Saburido, aqui dentro, em 1968. Guardo a foto até hoje”, diz Rosa.

A dificuldade para organizar tantas histórias em um grupo tão grande revela o trabalho dado às freiras que tomavam conta do espaço quando elas eram apenas crianças. “A gente fazia muito barulho, não é à toa que as irmãs reclamavam tanto”, brinca Socorro Caminha, 68, uma das quatro alunas que estudaram ali desde o jardim da infância. A gratidão de ver o local conservado, mesmo depois de tantos anos e tantas mudanças na estrutura do bairro, porém, serve de lembrete que amizades não têm prazo de validade.

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Lorena Barros

Lorena Barros

Repórter

Lorena é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco. Passou a escrever para o Diario em 2016, no projeto CuriosaMente, da editoria de dados do jornal.

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