Alunas de colégio se reúnem 40 anos após formatura

Ex-alunas promovem encontros anuais há 18 anos, reunindo moradoras de três países no Recife, onde dezenas delas cresceram
Por Victoria Arruda

 

Dizem que amizades da época do colégio duram a vida inteira e uma turma de mulheres do Recife que se formou há 40 anos leva essa afirmação bem a sério. Mesmo que, depois do colégio, seja comum perder o contato por falta de convivência ou pela distância, as formandas de 1976, há 18 anos, reservam um dia do ano para se rever e colocar o papo em dia.

Tudo começou em 1998, quando a administradora aposentada Flávia Almeida Mota, 58, decidiu chamar algumas amigas do tempo de colégio para o seu aniversário. À época, a unidade de ensino aceitava apenas meninas e as turmas eram divididas de acordo com os cursos que cada uma seguiria. No dia, a surpresa: “Eu não esperava que fosse tanta gente, então começamos a nos reunir a cada ano no Natal, e a partir do momento que o número foi aumentando, fomos fazendo reuniões mais frequentes”, conta. A experiência acabou virando uma tradição anual e, para isso, tomou para si a missão de estar sempre ligando ou mandando mensagens para lembrar dos reencontros. “É importante conviver com pessoas da sua idade que têm os mesmos objetivos de vida e estão passando pelos mesmos processos”, completa.

1977
2016
Arquivo Pessoal

Nas reuniões, vem gente de São Paulo, Sergipe, Rio Grande do Norte e até do exterior. Residindo em Houston, nos Estados Unidos, há trinta e cinco anos, a restauradora de artes Ângela Teixeira, 58, vem à cidade todo ano, e avisa com antecedência ao grupo para ver se é possível a reunião acontecer nesse período. É o mesmo caso da tradutora Ivanilze Sampaio, 58, que atualmente reside na Costa Rica. “Eu sempre tive encontros com um grupinho menor, mas agora é a quarta vez que participo do encontro com tanta gente”, diz Ângela.

Este ano, além do reencontro em comemoração aos 40 anos da formatura escolar, as presentes foram motivadas a levar alimentos para serem doados a crianças com microcefalia. “É uma grande oportunidade de ajudar, mesmo com pouca coisa. Sempre que nos reunimos fazemos alguma ação, já fomos em asilos, já arrecadamos fraldas e hoje estamos auxiliando as crianças. Eu faço parte de um grupo de oração da Fundação Terra, então é em razão da minha religiosidade que eu peço”, explica a organizadora Flávia Mota.

Pela primeira vez na reunião, a corretora Célia Cândido, 58, conta que soube do encontro quando foi adicionada recentemente ao grupo de WhatsApp da turma, e se surpreendeu com a quantidade de presentes. “Algumas você reconhece e outras você não lembra, porque realmente era muita gente para lembrar, mas é muito bom rever e voltar aos anos das Damas”, confessa.

1998 – Primeiro encontro
2014
2015

Para a servidora pública federal Zélia Araújo, 58, é uma alegria rever a turma, por isso faz o possível para estar presente em todos os encontros. “Percebo que cada vez o pessoal está mais animado. Tanto é que, no começo, era um grupo pequenininho, agora são cerca de 40 a 50 pessoas”, afirma. Também considerada presença assídua, a bancária Bartira Araújo, 58, diz que a importância do encontro é contemplar os laços criados na infância. “Relembrar as coisas de criança, ver como é interessante, como a gente traz a amizade que tinha lá atrás, com genuinidade. Acho que tem a ver com como a gente se relacionou numa época em que tudo era muito simples, franco… Aí você traz essa memória ao hoje”.

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Victoria Arruda

Victoria Arruda

Repórter

Victoria é estudante de jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco. Produziu para o Diario entre 2014 e 2016, na editoria de redes sociais. Espera ter amigos para a vida toda…

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