Acalásia: uma doença silenciosa e pouco conhecida

Ilustração/ Salvino

Recife tem profissionais referência no tratamento da doença que atinge o esôfago e atrai pacientes de outras regiões do país

 

Era março de 2016, e André Soares, 31, não conseguia engolir nenhum tipo de alimento. Sequer bebia água. Há cinco anos, ele sofre com uma doença agravada com o tempo, que causa a dilatação do esôfago, a acalásia. Em abril, depois de um inusitado pedido de socorro postado por sua irmã no Facebook, o mineiro conseguiu ajuda para seu tratamento no Recife. “Aqui não tem referência no tratamento da doença. Ele ficou internado por mais de um mês em Barbacena (MG), mas o único cirurgião que pesquisei e realizava a cirurgia estava no Recife. Criei um perfil no Facebook e postei na página Acalásia e Megaesôfago, Recife, PE, um pedido de ajuda. Logo recebi várias mensagens”, conta Jussara Soares, 37, irmã de André.

O quadro de André já estava avançado, mas a doença, considerada rara, atinge 10 pessoas a cada 100 mil habitantes. “O esôfago possui uma válvula que funciona a partir de estímulos nervosos. Ela abre e fecha para a entrada e saída da comida.

Arquivo pessoal/ Cortesia

Isso porque o esôfago é um órgão de passagem que leva o alimento para o estômago. Quando a comida não consegue passar, ela acaba ficando retida no esôfago e no megaesôfago e o órgão começa a ser dilatado”, explica o gastroenterologista Antônio Conrado, cirurgião do Hospital da Restauração.

A doença pode ser ocasionada pela doença de chagas ou por causa idiopática, quando não se sabe o verdadeiro motivo da doença. “Ainda não se bateu o martelo, mas pesquisas indicam que ela seja causada por um vírus, mas que não é transmitido”, explica o especialista.

A cada 100 mil habitantes desenvolve a doença

Além disso, a evolução da doença ocorre de maneiras diferentes: “Nos pacientes com acalásia idiopática, os sintomas são desenvolvidos de forma mais rápida. Já nos pacientes que desenvolvem a acalásia através da doença de chagas, os sintomas são mais lentos”. A condição pode ainda ser agravada por estresse e pode ser contornada por meio da injeção de botox no esôfago ou processo cirúrgico no órgão. Ainda assim, a doença pode voltar a se apresentar no paciente, o que requer vigilância constante.

No dia 23 de abril, três dias depois de operado, o mineiro André pode tomar seu primeiro copo de leite em muito tempo sem deglutir. Até então, alimentava-se de uma sonda ligada ao estômago e enfrentava o risco da desnutrição. Teve o desfecho alterado por intervenção conduzida pela internet.

A página do Facebook usada no caso foi criada pelo pernambucano Deveandreson Santos, 27, diagnosticado em 2012. “A princípio fui diagnosticado com gastrite e H. Pylori, bactéria que causa inflamação e dor  no estômago. Mas os medicamentos receitados pelo gastroenterologista só pioravam os sintomas”, lembra.

Rafael Martins/DP

“Eu sentia muita dificuldade para engolir. A comida descia arranhando na garganta. Os sintomas pioraram até chegar no nível que eu não conseguia engolir e a comida voltava. Neste momento, foi na internet que achei minha resposta”, conta. Depois de pesquisar sobre os sintomas que estava sentindo, chegou à acalásia e outro médico confirmou as suspeitas. A página foi criada justamente para ajudar a instruir sobre a enfermidade, pouco conhecida e frequentemente confundida com quadros menos graves.

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Mayra Couto

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Rafael Martins

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