Vestígio achado no Brasil mudaria teoria de chegada do homem à América

Santa Elina/Divulgação

Uma descoberta arqueológica recente está sendo responsável por trazer à tona novamente uma discussão antiga: o período de chegada dos primeiros humanos às Américas. No sítio arqueológico de Santa Elina, a 80 km de Cuiabá (Mato Grosso), foram encontradas ferramentas de pedra e artefatos complexos, com cerca de 30 mil anos de existência. Segundo os profissionais que fizeram as escavações, Denis Vialou e Águeda Vilhena, ambos do Museu Nacional de História Natural da França, a região já era habitada há aproximadamente 27 mil anos. “Uma prova é a presença de mais de 300 objetos de pedra lascada, com serrilhados e retoques, que só poderiam ter sido feitos pela mão do homem”, defende Águeda, em entrevista à BBC, considerando também uma prova a existência de restos de fogueiras.

Para datar o método do material, os arqueólogos usaram três métodos diferentes para conferir segurança empírica às afirmações. “É o primeiro caso no Brasil de uma perfeita associação do homem com a megafauna extinta”, explica ela. “Há a confecção de objetos simbólicos com ossos da megafauna, transformando-os em adornos. “É o primeiro caso no Brasil de uma perfeita associação do homem com a megafauna extinta. Há a confecção de objetos simbólicos com ossos da megafauna, transformando-os em adornos”, comenta Águeda. Além disso, ele reforça a relevância científica do sítio. “A primeira é que ocupações humanas pleistocênicas [entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás] são raras e, por enquanto, lá é o único local descoberto no centro do continente sul-americano”, explica.

Santa Elina/Divulgação

Historicamente falando, considera-se que a chegada oficial da humanidade às Américas aconteceu em 12 de outubro de 1492. As descobertas, portanto, atualizam essa data. Outros povos já habitavam, há anos, aquela porção de terra. Diante das incontestáveis indicações de homens nas Américas antes de Colombo, surge o questionamento de como esses primeiros humanos chegaram. A teoria mais conhecida que tenta explicar essa pergunta é a que leva o nome de um arqueólogo antigo: Clovis First, que aponta para um possível cruzamento do Estreito de Bering, na Sibéria, em direção ao Alasca, sendo todo o trajeto feito a pé. Segundo os arqueólogos entrevistados, porém, essa teoria já está ultrapassada. “A ideia de que a cultura Clóvis teria sido a primeira a surgir na América foi definitivamente descartada devido à antiguidade incontestável do sítio Monte Verde, no Chile, de 12,5 mil anos atrás”, declara o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Francisco Mauro Salzano.

Descobertas em um sítio arqueológico do Novo México, nos EUA, trouxeram à tona artefatos datados de mais de 11 mil anos. De acordo com os estudos dessa teoria, os humanos que habitavam a América naquele momento foram responsáveis por originar todos os índígenas da América Central. “Os autores são arqueólogos com excelente formação, portanto suas publicações devem ser levadas em consideração. Todas as descobertas são importantes, pois os vestígios estão geralmente sob a terra e podem desaparecer com o passar dos anos”, afirma Guidon.

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