Anunciado no Dia da Mulher, vagão rosa em todos os trens ainda não saiu do papel no Recife

Mandy Oliver/Esp.DP

Anunciado no dia 8 de março de 2017, durante celebração do Dia da Mulher, como um projeto que estaria concluído em abril, a implantação do vagão rosa em todos os trens do metrô do Recife ainda não saiu do papel.

De acordo com o superintendente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), Leonardo Villar Beltrão, o objetivo é que a ação seja, de fato, implantada após o Dia das Mães, celebrado no dia 14 de maio. “Estamos fechando uma parceria para viabilizar a parte de identificação visual dos trens. Nosso objetivo é que esteja tudo pronto até a segunda-feira seguinte ao Dia das Mães”, afirmou. Ainda de acordo com o superintendente, caso a parceria com empresas privadas não seja realizada, o metrô arcará com os custos utilizando recursos próprios. “Nesse caso, o prazo seria até o final de maio”, apontou Beltrão.

Dados da CBTU apontam que cada vagão rosa transporta cerca de 2.500 mulheres diariamente. Atualmente, com os dois vagões em funcionamento, portanto, são cerca de 5.000 usuárias utilizando o vagão segregado. Caso a implantação dos demais vagões saia do papel no mês de maio, esse número subiria consideravelmente. Partindo do princípio que cada um dos 23 trens sem vagões rosa passassem a circular com um, seria possível um aumento de 57,5 mil mulheres utilizando os vagões exclusivos. Atualmente, 228 mil dos 400 mil passageiros diários do metrô, somadas as linhas Centro e Sul, são do sexo feminino.

Mandy Oliver/Esp.DP

O metrô em números

-29 km é a extensão da Linha Centro
-10,5 km é a extensão da Linha Sul
-400 mil usuários
-228 mil são mulheres
-25 trens nas duas linhas
-2 com o vagão rosa
-Transportam cerca de 5 mil mulheres/dia
-Com expansão, mais 57,5 mil mulheres/dia no vagão rosa

De acordo com Leonardo Beltrão, a aceitação registrada nas estações é alta e serve de incentivo para a implantação dos novos vagões nos demais trens.

O ganho principal, para ele, é na segurança das mulheres, apesar de ressaltar que o principal gargalo da segurança se dá nos terminais de integração. Apenas cinco denúncias de violência contra a mulher foram registradas pelo Metrorec em 2016.

Porém, as queixas e relatos de assédio se multiplicam nas redes sociais. Mirtes Ferreira, 33 anos, utiliza o metrô como meio de transporte principal e já foi vítima de assédio nos trens. Moradora do bairro do Totó, Zona Oeste do Recife, geralmente, utiliza a Estação Coqueiral como ponto de partida das viagens. Ela conta que já lidou com assédios verbais e físicos nos vagões comuns, mas não enxerga que os vagões segregados sejam o caminho certo para por fim a essas práticas. “A violência não fica restrita apenas ao vagão. O problema principal não é enfrentado com isso. Deveria haver uma campanha de conscientização contra o machismo no metrô e uma fiscalização maior dos casos de assédio”, opina.

Até o momento, a quantidade de denúncias de violência contra a mulher após a implantação do vagão rosa não foi informado pela CBTU, assim como a quantidade de flagrantes desse tipo.

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