A “maior coleção” de Fernando Pessoa é do Recife

MEPE/Divulgacao

Advogado pernambucano mantém textos – alguns deles inéditos – de um dos mais aclamados autores portugueses do mundo

 

Na residência do advogado José Paulo Cavalcanti Filho, há um cômodo onde quem reside é o escritor português Fernando Pessoa – entre os mais de mil itens, entre textos, assinaturas e raridades. Aos 68 anos, o recifense tem aquela que muitos dizem ser a maior coleção conhecida de obras do autor, que inclui a primeira edição de Mensagem – único livro completo, em português, lançado ainda em vida pelo poeta -, com direito às correções e observações manuscritas por ele para a publicação da segunda edição.

A coleção começou por um acaso e hoje conta com 300 poemas. Dos 144 textos em prosa publicados em 60 revistas e jornais, possui 50. Os itens foram reunidos durante 30 idas a Portugal, mas a paixão pelo escritor nasceu na juventude.

Bernardo Dantas/DP

O advogado tinha 16 anos quando ouviu pela primeira vez o poema Tabacaria, um de seus preferidos até hoje, sendo recitado por João Villaret. Desde então, virou uma espécie de obsessão como ele mesmo explica: “Passei a ler tudo dele. Eu sei decorado 1/3 de tudo que ele escreveu”. O poema que deu início a busca incessante de Paulo ainda é um dos seus preferidos até hoje. As viagens, em 10 anos, rendeu a biografia Fernando Pessoa, uma quase autobiografia, vencedora do prêmio Jabuti.

Entre os destaques da coleção, estava nada menos que um original inédito, uma versão de poema até então desconhecida. “É uma coleção muito rica. E, agora, inclui o poema inédito Cada palavra dita é a voz do morto que estava em seu diário, de 1918. Além disso, os manuscritos e o quadro pintado por Almada Negreiro são raridades”, comenta o professor. Uma curiosidade é a quantidade de versões do Livro do Desassossego: 20, ao todo. “Ele nunca chegou a terminar Desassossego. Deixou um baú cheio de papéis e os escritores foram juntando como achavam que o livro seria. Mas Pessoa deixou escrito nos papéis ‘Para Desassossego‘. Ele estava escrevendo e montado o livro”, explica Lourival Holanda, professor de letras da UFPE. A coleção ainda conta com quadros, entre eles, um retrato do escritor pintado por Almada Negreiros na noite de seu enterro.

poemas

textos em prosa

versões do "Livro do Desassosego"

traduções inglês/português sobre teosofia

prefácios

E ainda 4 manifestos, 3 cartões-postais, 2 óculos (piscinê e de bolso), 1 mesa e 1 máquina de escrever

José Paulo foi um dos poucos a ter o privilégio de acessar grande parte da Arca de Pessoa (como é conhecido o baú deixado pelo escritor com livros, textos e objetos pessoais), mas não pretende ficar com tudo para si: “O acervo não é meu no sentido de propriedade. Inclusive, já avisei a minha família não quero que a coleção fique com eles e, sim, com alguma instituição. Pretendo doar tudo”, conta. Assim como ele, Fernando Pessoa também era um colecionador chegando a possuir, aproximadamente, 420 selos, destes, 285 já fazem parte da coleção de José Paulo Cavalcanti.

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Mayra Couto

Mayra Couto

Repórter

Mayra é estudante de jornalismo da Aeso – Faculdades Integradas Barros Melo.

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