“Mães de anjos” mostra que há alegria na microcefalia

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Um dos assuntos mais debatidos desde 2015, a epidemia da microcefalia ganhou os veículos de comunicação frequentemente, nos jornais e nas TVs, tendo 2.094 casos notificados em Pernambuco – 376 deles, já confirmados, até agosto de 2016. Boa parte do noticiário é feito assim. Em números. Estatísticas e depoimentos médicos que completam o cenário ainda lentamente em descoberta de um dos surtos mais preocupantes do século 21, no Brasil, tendo o estado nordestino como epicentro.

Para subverter o imaginário de desespero e provações carregadas junto ao diagnóstico, o projeto experimental Mães de Anjos surgiu como uma provocação das jornalistas Alexia Andrade, Eduarda do Vale e Victoria Arruda. “Buscando uma abordagem mais humana e que se distanciasse do conceito ‘médico’ da questão, queríamos mostrar que a microcefalia não era somente uma estatística, mas tinha rosto, nome e endereço. Mais do que isso, que as crianças atingidas pela malformação não estavam sozinhas, mas que existiam pessoas, mães, que faziam de tudo para que sua qualidade de vida melhorasse a cada dia”.

A ideia era produzir um material que mostrasse as mães humanamente como elas são, com alegrias e tristezas, simplicidade e dificuldades, mas principalmente um espaço onde elas poderiam desabafar como em uma conversa informal, e contar experiências de serem mães de crianças microcéfalas, visando a redução de situações de discriminação e rejeição.

Daniele Santos

Mãe de Juan Pedro;
29 anos, mora em Apipucos;
Recepcionista;
Ela estava, no momento, de licença-maternidade. Daniele não tem o apoio do pai de Juan Pedro, que abandonou o bebê quando descobriu a malformação.

Michelle Santos

Mãe de Gabriel;
33 anos, casada e reside no Barro;
Dona de casa;
Por ter engravidado aos 17 anos, optou por se dedicar integralmente ao serviço do lar e cuidado do garoto, que por conter a malformação, sempre precisou de cuidados especiais. Hoje, com a filha de cinco anos e Gabriel com 14, permanece em casa auxiliando-os e seu sonho é ver o menino ser alfabetizado.

Jaqueline Vieira

Mãe de Daniel;
25 anos e mora no bairro Alto da Confiança, em Olinda;
Dona de casa;
Seu antigo marido, pai de Daniel, a abandonou logo que o filho nasceu, pois não aceitava que sua esposa desse dedicação especial ao pequeno, que tinha microcefalia. Atualmente, recebe apoio do grupo União de Mães de Anjos (UMA), o qual transmite doações à dona de casa.

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