Após onda de ratos, condomínio sofre invasão de 80 cobras

Associação de Moradores do Loteamento Residencial Shangrilá/Divulgação

Em princípio, o Loteamento Residencial Shangrilá, localizado no Parque Shangrilá, em Campinas, é um local para se morar com paz e tranquilidade. Construído em uma área rural, no terreno aonde antes ficava uma fazenda, o condomínio é cercado de plantações e possui quatro alqueires de mata nativa. Mas desde meados de 2016, seus moradores vivem em constante tensão: uma infestação de cobras peçonhentas tomou conta do local e chegou ao ponto alto no dia 20 de março de 2017, quando uma moradora foi picada.

A moradora não teve seu nome divulgado, mas passa bem. Ela ficou em observação no Hospital Universitário de Campinas durante 16 horas e, segundo os médicos, não foi inoculada pelo veneno. O incidente aconteceu quando a mulher passeava com seu cachorro, em uma das áreas do condomínio próximas à mata – porém, ela afirma que caminhava na calçada.

Em entrevista ao G1, Lorene Scheidt, presidente da Associação de moradores, disse que tudo o problema teve início quando um incêndio de grandes proporções devastou uma das plantações ao lado do condomínio. Com a proximidade de sua mata nativa, animais desabrigados pelo incêndio resolveram se mudar para o Shangrilá: centenas de ratos silvestres, que se espalharam pelas casas, ruas e áreas de lazer do condomínio. O Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal (DPBEA) da prefeitura de Campinas foi acionado e passou a acompanhar o caso. Mas pouco depois, o maior predador dos roedores seguiu o rastro de suas presas. E o Shangrilá foi invadido pelas cobras.

Lorene Scheidt/Cortesia

De junho de 2016 a março de 2017, foram encontradas mais de 80 cobras – todas de espécies venenosas, como a cascavel, a jararaca e a coral. O procedimento recomendado ao encontrar um dos animais é ligar para os órgãos responsáveis, mas com a incidência quase diária, oito funcionários foram treinados para capturá-las, contando com todos os equipamentos de segurança necessários e colocando-as em recipientes apropriados até a chegada das autoridades, que as devolvem ao seu habitat. Eles também fora instruídos em procedimentos de emergência, para ocorrências como a do “ataque”.

O local sempre apresentou um grande número de animais silvestres – inclusive era conhecido antes como “paraíso das cobras e das corujas”. Lorene admite que a própria construção do condomínio já foi um fator de grande impacto para a fauna local. Mas o diretor do DPBEA, Paulo Anselmo, explica que o atual desequilíbrio vivido pelos moradores foi mesmo causado pelo impacto da queimada e com as colheitas das fazendas próximas. Assim, com as medidas de proteção adotadas pelos condôminos e pelo Departamento, a situação deve ser normalizada. Por enquanto, as recomendações são de que os moradores permaneçam atentos, tomando precauções como não deixar animais de estimação soltos e armazenar o lixo adequadamente, para que ele não atraia ratos – e com eles, as temidas cobras.

Associação de Moradores do Loteamento Residencial Shangrilá/Divulgação

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