Identificada tartaruga pernambucana da pré-história

Julio Lacerda/Divulgação

Há 62 milhões de anos, uma tartaruga pernambucana de apenas 50 centímetros de comprimento, viveu no litoral do estado após a extinção dos dinossauros. A constatação foi realizada após análise de fóssil achado, em 2007, pela equipe de pesquisadores do Laboratório de Paleontologia da UFPE (Paleolab), no terreno onde funciona a fábrica de cimentos Poty no município do Paulista, Região Metropolitana do Recife. Porém, apenas em 2015, foi possível retirar o material que envolvia o fóssil e, então, identificar que se tratava de uma tartaruga e constatar que ela viveu na Era Paleoceno.

Anny Carvalho/Cortesia

“É uma descoberta importante por ser a primeira da espécie de ordem marinha encontrada no Brasil”, destaca a doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geociências da UFPE Anny Carvalho, responsável pela análise. Ela aponta ainda a existência de outro fóssil semelhante, que já havia sido encontrado em Portugal.

Chamada de Inaechelys pernambucencis, a tartaruga é considerada uma “rainha do mar” (Inae é um dos nomes de Iemanjá), por ter sobrevivido à convivência com outras criaturas muito maiores que ela. “Ela é um dos poucos répteis que sobreviveu após a extinção dos dinossauros”, destaca Anny.

Anny Carvalho/Cortesia
Anny Carvalho/Cortesia

Para efeito de comparação, nos dias atuais, a espécie seria como um cágado marinho, inclusive, com a característica de alimentação generalista, ou seja, capaz de comer de tudo. Esse fato ajudou bastante na sobrevivência da Inaechelys pernambucencis. “Animais com hábitos alimentares muito específicos costumam ser mais facilmente afetados por grandes mudanças ambientais, como a que ocorreu no final do Cretáceo”, afirma Aline Ghilardi, professora da UFPE e uma das autoras da pesquisa divulgada pela universidade.

A pesquisa destaca que, apesar de marinha, a espécie não tem nenhuma relação com as tartarugas-marinhas atuais. A família à qual Inaechelys pertence, nomeada de Bothremydidae, foi completamente extinta, mas a linhagem foi bastante abundante no passado e a maioria das espécies apresentava hábitos costeiros.

Com informações da Assessoria de Comunicação da UFPE

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