Guia definitivo para aprender a beber cerveja (boa)

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Formato do copo influencia no sabor? Qual tipo de cerveja para acompanhar aquele petisco? Como saber se a bebida é forte ou amarga? Tudo o que você precisa saber para amar (mais) cerveja

 

Antes praticamente restrito a marcas nacionais, o consumo de cervejas entrou em nova fase desde que a importação da bebida foi facilitada, inclusive na aquisição pela internet, dando origem a uma moda gourmet que caiu no gosto dos pernambucanos. Mas, com dúzias de classificações diferentes de cervejas, é difícil começar a desvendar um mundo, antes distante, de sabores, sem ser inundado de dúvidas. Afinal, que copo pode ser utilizado para extrair o máximo de sabor da bebida? E quais comidas mais combinam com cada tipo de cerveja?

Roberto Ramos/DP

A primeira é por corte, quando a cerveja “limpa” o paladar e vem para equilibrar a gordura no prato. “Um queijo mais gorduroso, por exemplo, pede uma cerveja com mais acidez e alto teor alcoólico”. Depois, por complementação, na combinação dos sabores. “Um presunto defumado combina muito bem com uma cerveja Smoke, defumada artesanalmente”. Por fim, tem a oposição, que aposta nos contrastes. “Uma comida picante harmoniza bem com uma cerveja mais amarga, como uma IPA”.

Se para leigos essas questões podem parecer bobagem, especialistas garantem que a combinação correta pode fazer diferença. Julyana Alecrim, sommelière de cervejas da loja online Mercado da Breja, afirma que o estilo dos copos, de fato, interferem na apreciação. “Eles influem consideravelmente nos prazeres gustativos que podem ser obtidos em uma cerveja”, aponta. “O formato pode realçar sabores, aroma e aparência de cada cerveja degustada”, complementa.

Assim como o copo correto, também é importante combinar a cerveja com a comida adequada. Julyana destaca que são muitos os condicionantes para obter uma harmonização satisfatória, porém, há três maneiras de evitar enganos, levando em conta a bagagem cultural e os costumes da região. “São diretrizes para buscar um terceiro sabor na junção da cerveja perfeita com o prato perfeito, de acordo com o gosto de cada um. Mas quando falamos em harmonização, estamos falando em diretrizes, não de regras”, pondera.

 Micheline Siqueira/Divulgacao

Guia dos copos e acompanhamentos ideais para cada tipo de cerveja

Com base nos depoimentos da sommelière Julyana Alecrim e da sommelière e juíza de análise sensorial Fabiana Panobianco

American Lager

Exemplo: Capunga, Quilmes, Norteña, Heineken
Copo Lager – Possui corpo alongado, com um estreitamento na boca que retém os aromas. É o modelo mais utilizado para servir chope no Brasil, costumeiramente chamado de tulipa.
Harmonização com alimentos: É uma boa pedida para acompanhar crustáceos como camarão, caranguejo, lagosta e ostra, além de peixes como bacalhau e salmão.

Czech Pilsner

Exemplos: Ekaut Czech, Pilsner, Praga, 1795
Copo Pilsner ou Pokal – Tem formato cônico ou cilíndrico, possibilita uma boa formação de creme, direcionando os aromas ao nariz. Indico para as cervejas Pilsen, é indicado como “copo coringa” para outros tipos de cerveja.
Harmonização com alimentos: Ampla como a American Lager. Vai bem com sardinha, lula frita, camarão, caranguejo e salame

Witbier

Exemplos: Hoegaarden, Vedett, Faxe
Copo Tumbler – O copo robusto com a boca larga é bastante indicado para aqueles tipos de cervejas caracterizados pela pouca formação de espuma no topo
Harmonização com alimentos: Pode ser harmonizada com petiscos como bolinho de bacalhau e refeições de diferentes tipos como ovos mexidos, cuscuz ou até mesmo sushi

American IPA

Exemplos: Ekaut Ipa, Schornstein Ipa, Roleta Russa, Punk Ipa
Copo Spiegelau IPA – Possui corpo mais estreito na base e largo no topo, formato benéfico a degustação e apreciação do aroma desse estilo de cerveja, normalmente bastante lupuladas.
Harmonização com alimentos: Combina bem com carne assada, filet mignon, chouriço, hambúrguer e nachos

Weizen

Exemplos: Erdinger, Paulaner, Weihenstephaner
Copo Weizen – São altos e recebem todo o conteúdo das garrafas (500 ml), abrindo também espaço para espuma e leveduras. Permite que se admire corpo, cor e expansão do creme da cerveja
Harmonização com alimentos: Alimentos como milho cozido, salada verde de atum ou de beterraba e crustáceos como camarão, caranguejo, lagosta e lagostim

Bock

Exemplos: Schornstein Bock, Baden Baden Bock, Tupiniquim Bock
Copo Tulipa – Copo com corpo arredondado para capturar os aromas, ideal para cervejas com muita espuma, apesar de ser um copo bastante versátil.
Harmonização com alimentos: pode casar bem com carne de porco, cogumelos, pato assado e feijoada. Alimentos com bacon também podem ser bem hamonizados com uma Bock.

Stout

Exemplos: Guinness, Dama, Schornstein
Copo Becker – Simples e típico dos pubs ingleses e irlandeses, comporta grandes quantidades de cerveja. Divide-se entre entre o English Imperial Pint (com anel mais saliente no topo) e o Irish Imperial Pint (boca mais larga que a base).
Harmonização com alimentos: Pode ser combinada de forma certeira com diversos doces, como trufas de chocolate, torta de frutas (sobretudo vermelhas) ou sorvete.

Trapista

Exemplos: La Trappe, Trappist Rochefort, Chimay
Copo Cálice – São copos desenhados para manter a integridade do creme, bem como proporcionar maior percepção do aroma. De modo geral, possuem bocas largas e “pezinho” alongado.
Harmonização com alimentos: Combinação perfeita para massas ao molho Carbonara ou Pesto, além de petiscos como salame e azeitonas.

Saison

Exemplos: Belgian Strong Ale, Lambic, Saison, Scotch Ale, Saison Atrois
Copo Tulipa – O nome é por conta das flores de mesmo nome. É ideal para cervejas que formam muita espuma.
Harmonização com alimentos: É uma boa pedida para comidas desde petiscos como salsichas, salames e falafel, a refeições refinadas como escargot e vitela

Cervejas tradicionais made in PE também crescem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O crescimento das cervejas artesanais e importadas não detém a ampliação de mercado das tradicionais Pilsen, popularizadas no paladar do brasileiro e com participação cada vez mais expressiva em solo pernambucano. “As cervejas importadas costumam ser mais fortes, tanto no sabor, quanto no teor alcoólico, até por isso tem uma forma de consumo diferente. São apreciadas, harmonizadas”, aponta Leonardo Penna, mestre cervejeiro da fábrica da Itaipava, localizada em Itapissuma, Região Metropolitana do Recife. “É um hábito que ganhou a Europa nos anos 1960, os Estados Unidos nos anos 1990 e, mais recentemente, chegou ao Brasil. A Pilsen é uma cerveja que é mais suave, combina com o nosso clima”, complementa.

Entre 2015 e 2016, a produção da unidade pernambucana do Grupo Petrópolis aumentou em cerca de 10%, de acordo com o gerente-geral da fábrica, Everaldo Miranda. Por hora, são 62 mil cervejas engarrafadas e 128 mil enlatadas. O processo é realizado ao longo de 24h, por um complexo e moderno maquinário – tão moderno que, por turno, são necessárias apenas 18 pessoas para cuidar da parte de produção de 50 milhões de litros mensais.

Números que já impressionam e, em breve, estarão em expansão. A fábrica é “pré-moldada” para crescer, algo que deve ocorrer em “curto ou médio prazo”. De acordo com Miranda, dentro do mercado de cervejas de Pernambuco, a Itaipava é responsável por 22,8% do total de vendas, no primeiro semestre de 2016 – no Brasil, o percentual é de 14,5%. “A viabilidade está atrelada à resposta do mercado. Já estamos presentes em todas as regiões do Brasil, mas, até 2020, queremos atingir todos os municípios do país”.

Serviço
Beer Tour gratuito
Terça a quinta-feira – 9h às 11h e 14h às 16h
Sexta-feira – 9h às 11h
Agendamento: (81) 99393-9291 ou
vnascimento@grupopetropolis.com.br
O tour pela fábrica da Itaipava é realizado com mínimo de dez pessoas
e é restrito a maiores de 18 anos

João Vitor Pascoal

João Vitor Pascoal

Repórter

João é estudante de jornalismo da UFPE. Estagiário do Diario desde 2014, escreveu para a editoria de Política, antes de compor a equipe de dados, no CuriosaMente.

Peu Ricardo

Peu Ricardo

Fotógrafo e videografista

Peu integra a equipe de fotografia do Diario de Pernambuco desde 2015.

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