Episódio isolado de estresse causa dano a longo prazo

Gerd Altmann/Pixabay

Um episódio severo de estresse pode acarretar em traumas psicológicos atrasados e a longo prazo, de acordo com uma pesquisa feita por cientistas da Índia. Isso acontece porque esses incidentes podem aumentar a atividade elétrica em uma região do cérebro chamada amígdala, associada às reações emocionais, memórias e tomadas de decisões.  Os testes foram feitos com ratos de laboratório, que possuem mecanismos cerebrais semelhante aos de humanos. Resultados mostraram que uma instância única de estresse agudo aumentava a ansiedade e atrasava as mudanças na estrutura do cérebro dos animais 10 dias após o ocorrido.

Durante os testes, os ratos tiveram que passar por um episódio de duas horas de imobilização aguda para induzir o estresse, sem acesso a água ou comida. “Nós mostramos que o nosso sistema de estudo é aplicável em casos de transtorno de estresse pós-traumático”, disse o líder do estudo, Sumantra Chattarji, através de um comunicado reproduzido pela agência de notícias norte-americana UPI News. Os pesquisadores encontraram mudanças fundamentais nas células nervosas da amígdala – onde pode ocorrer a formação de novas conexões nervosas, chamadas sinapses, induzidas pelo estresse.

A ansiedade aumentada dependia de uma molécula conhecida como receptor NMDA, uma proteína do canal iónico nas células nervosas que é crucial para a memória. Os cientistas bloquearam o receptor durante as situações de estresse aos quais os camundongos eram sujeitos, o que cessou a formação de novas sinapses e interrompeu o aumento da atividade elétrica nas já existentes. “Esse efeito atrasado após um único episódio de estresse é semelhante ao que ocorre em pacientes que sofrem do transtorno”, acrescenta. “Nós temos, pela primeira vez, um mecanismo molecular que mostra o que é necessário para a culminação dos eventos 10 dias depois de um episódio único de estresse.”

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