Do interior à capital, em busca de empreender

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Localização estratégica, grande população, polos industriais, variedade de mercado e inúmeras facilidades fazem do Recife a “cidade grande” que atrai pessoas de várias partes do Nordeste que têm o objetivo de colocar em prática projetos profissionais. E os que prosperam, desenham o caminho de volta na colheita de resultados.

É o caso de Alyson Tabosa, 26, que veio de Caruaru, no Agreste, para desenvolver uma start-up durante a graduação em Engenharia da Computação, que se transformou na plataforma de cotação de materiais de construção CoteAqui. Sete anos depois, fecha parcerias com construtoras da cidade-natal, compradoras em grande escala e vê a ferramenta ser utilizada na prática. “É uma grande realização como negócio e como vendedor, porque o mercado de Caruaru ainda não é tão aberto como o do Recife. Conquistar o mercado da capital e chegar no interior é algo irrefutável para a credibilidade do nosso projeto, é a validação do negócio.”

Malu Cavalcanti / DP

O analista de orientação empresarial do Sebrae Valdir Cavalcanti explica que essa migração sempre foi forte no estado e pontua que a diversidade de possibilidades é o que atrai pessoas de cidades menores, onde apenas poucas áreas do mercado se desenvolvem. “De fato, comparado ao interior do estado, o Recife sempre será um bom lugar para empreender ideias, devido à variedade de ramos no mercado. Dessa forma, mesmo em áreas diferentes, sempre há um cenário positivo para novos projetos”, afirma.

Algumas vezes, da capital, um negócio vai mais longe e acaba alçando voos internacionais. O biomédico Onício Leal, 29, cofundador da Epitrack, estudou na capital do Agreste, mas buscou, no Recife, há sete anos, a chance de desenvolver sua ideia. “Quando me formei, Caruaru, cidade conhecida pelo comércio, não tinha ainda cultura forte de empreender usando tecnologia. No Recife, encontrei o espaço ideal para fomentar ideias”, diz. A startup desenvolveu um sistema de previsão de epidemias já utilizado nos Estados Unidos e Canadá e agora, junto ao Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (LIKA), criou um aplicativo que, associado a biossensores, será capaz de diagnosticar três tipos de câncer em minutos. O impacto da ideia foi tanto que a iniciativa concorre a um prêmio de até US$ 1 milhão, no concurso The Venture. Parte da conquista depende de participação popular e qualquer um pode votar nos pernambucanos pelo link diariode.pe/epitrack.

A professora Fernanda Pessoa, 35, nascida e formada em Arcoverde, é outro exemplo do nomadismo que move o desejo de empreender para áreas mais férteis do estado. Mudou-se para a capital aos 19 anos, em busca de recursos para sustentar a filha. “Passei por muitas dificuldades, mas percebi que sou muito forte. Nunca pensei em desistir, nunca tive medo de encarar”. O resultado hoje a deixa gratificada. “Me vejo hoje, penso onde eu ainda quero chegar e é gratificante não ter desistido. Meu projeto, que começou com 13 alunos, sendo dez bolsistas e apenas três pagantes, hoje é o maior curso de português do Brasil”, diz.

Fernanda Pessoa / Divulgação

A professora conclui parafraseando Euclides da Cunha ao ressaltar que, pela coragem de enfrentar mudanças e arriscar, “o pernambucano é, antes de tudo, é um forte”.

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