Cuidadora de hospital adota idosa sem família

Glaucia Andressa Arquivo Pessoal

Uma história emocionante entre uma idosa sem identidade e uma cuidadora repercutiu bastante na cidade de Araraquara, em São Paulo. Glaucia Andressa, de 29 anos, trabalhava no Hospital Beneficência Portuguesa da cidade quando conheceu “dona Cota” ou Cotinha, apelido que ela recebeu já que ninguém nunca soube qual é o seu verdadeiro nome. A senhora, de idade aproximada entre 62 e 65 anos, por não ter onde morar, vivia há cerca de 50 anos no hospital e estava prestes a ser levada para um abrigo quando a funcionária decidiu “adotá-la”. “Vou cuidar dela o resto da vida”, confessou ao G1. O que se sabe acerca da idosa é que ela foi vítima de um atropelamento quando ainda era criança e chegou ao hospital gravemente ferida junto com seu irmão, de aproximadamente 4 anos, que já estava morto.

Com o passar dos anos, acredita-se que freiras responsáveis pelo hospital se compadeceram da situação de dona Cotinha, que ainda era muito pequena, e passaram a cuidar dela. As informações sobre ela foram transmitidas boca a boca pelos funcionários do hospital, portanto, não existe comprovação da veracidade da história. “Contam que ela trabalhava ajudando as freiras, principalmente uma que se chamava Tereza. Dizem até que dormiam no mesmo quarto”, revelou Glaucia. Pouco tempo depois, o estabelecimento foi privatizado, trocou de gestão, as freiras se foram, mas a idosa, que sofre com alguma deficiência mental, continuou vivendo lá. Muito querida, a senhora sempre foi levada por funcionários para tomar sorvete, comprar roupas e passear nos finais de semana.

Glaucia Andressa Arquivo Pessoal

A decisão de Glaucia de se responsabilizar completamente por dona Cotinha veio depois que o hospital fechou e a senhora foi encaminhada para um abrigo de mulheres vítimas de violência. A jovem não desistiu até descobrir o paradeiro dela. “Eu fui atrás para ver como ela estava. Pegaram ela na quinta-feira à tarde e eu fui na sexta-feira de tardezinha. Ela chorava sem parar e repetia que queria ir embora. Eu prometi que em três dias tirava ela de lá, mas eu falei da boca pra fora, só para confortar, não acreditava que ia conseguir. Aí, eu liguei para uma assistente social que era amiga da minha mãe, liguei para as pessoas certas e na segunda-feira eu peguei ela”, explicou. A cuidadora não hesitou em levar Cotinha para morar com ela em sua casa, colocá-la no quarto de sua filha, e tomar conta dela.

Glaucia conseguiu a guarda de dona Cota judicialmente e agora tenta tirar documentos para dar um identidade a ela. A adoção aconteceu de última hora e como a cuidadora não tem muitos recursos financeiros, principalmente depois do fechamento do hospital, mas se manteve firme na decisão. “Quando o hospital fechou, eu entrei em desespero e falei: ‘não posso abandonar a Cota. Se faço isso agora, ela vai ficar ao Deus dará. Não vai ter alguém para cuidar dela. Eu fui mais na emoção, não pensei no dia de amanhã”, comentou.

Com algumas dificuldades de comunicação, as duas se falam através de gestos e algumas palavras ditas por Cotinha de forma incompleta, mas que conseguem ser compreendidas. Encantada com a inocência da idosa, a ex-funcionária do hospital conta que Cotinha e sua filha brincam de boneca. “Faltou a Cota crescer. Ao mesmo tempo em que ela sabe o que é errado, que cresceu trabalhando, ela brinca como a Emilly. Ela tem duas bonecas que ela ama de paixão e esconde porque tem ciúmes. Um dia eu entrei no quarto dela à noite e ela estava fazendo a boneca dormir”, declarou.

Todo o processo de adoção aconteceu há dois anos, mas somente agora Glaucia quis tirar do anonimato para conseguir ajudas de custo para a “nova filha”, que, apesar de ser saudável, já está muito debilitada pela idade e sequelas do acidente da infância. “Hoje estou vivendo a consequência do meu sentimento. Eu não parei para pensar como ia ser o dia de amanhã. Mas eu não vou abandonar ela. Eu tenho dificuldade de cuidar dela, mas vamos seguir em frente. Ela vai ficar comigo, vou cuidar dela o resto da vida dela”, concluiu. Aos que tiverem interesse em ajudar a jovem cuidadora, pode ligar nos telefones (16) 98200-9625 ou 99963-2598.

 

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