Casal do Recife troca emprego estável por nomadismo digital, viajando pelo mundo

Ricardo Fernandes/DP

Acordar cedo, pegar engarrafamento, chegar ao trabalho, mais engarrafamento, voltar para casa, jantar, ver televisão e ir dormir. Essa sequência de acontecimentos está presente na vida de muitas pessoas nas grandes cidades. E por muito tempo permeou a rotina do casal Fernando Félix e Cristina Balari, até que eles decidiram largar empregos estáveis para se tornarem nômades digitais, sem residência fixa e com a atividade permanente de rodar o mundo. Espanha, Alemanha, Portugal, França, Itália, Croácia, Bósnia, Estados Unidos e Ilhas Canárias já estiveram na rota do casal, que em abril, deu início a uma nova jornada pela Europa e Ásia. A experiência pode ser conferida online e deve virar livro até o final de 2016.

“Tinha um cargo importante numa empresa estatal, mas isso me consumia. Quando eu e Cristina percebemos, paramos para pensar naquilo que a gente tinha deixado de viver”, relembra Fernando. A rotina de antes ficou no passado. As carreiras, bons salários, perderam espaço para a realização do sonho de conhecer outros lugares e viver a rotina o dia a dia com outras pessoas.

Cristina é espanhola, Fernando é recifense. Sempre combinavam um local ao redor do globo para se encontrarem de tempos em tempos. Casaram e passaram a viver na capital pernambucana. Em outubro de 2014, a decisão foi de fazer algo além de mais uma viagem, mas sim, o início de uma nova maneira de viver, praticando o desapego. Por meio de serviços colaborativos – como couchsurfing e a troca de residência com outras pessoas – o casal começou a rodar o mundo gastando menos dinheiro do que uma viagem como essa normalmente custaria. “A nossa regra número um é fazer o máximo de economia e buscar o máximo de interação com as pessoas nativas, interagir em seus cotidianos”, explica Cristina. “Com todo o conforto que tínhamos, não percebemos que estamos presos numa gaiola de ouro, dentro de um conforto que não propicia nada além disso”, complementa Fernando. A manutenção da viagem é feita no modelo de economia colaborativa e conta com ajuda de parceiros e “vizinhos do mundo”.

Países já visitados pelo casal

Espanha

Alemanha

Portugal

França

Itália

Croácia

Bósnia

Ilhas Canárias

Estados Unidos

As viagens são do tipo minimalista. Cada um leva apenas uma mochila. Por conta da limitação, não compram nada em suas paradas. A regra número um é gastar o mínimo possível. Mas consomem o máximo que podem do lugar em que estão. Da cultura, das pessoas, da realidade dos locais. Confessam que já sentiram falta do conforto de casa. Algumas viagens e experiências, como travessias feitas de balsa e noites dormindo na floresta são completamente distintas ao que encontrariam em seus lares.

Ricardo Fernandes/DP

Dentro de casa, no entanto, não aprenderiam a velejar, a mergulhar, nem navegariam entre baleias ou passariam alguns dias numa ilha deserta. “O que queremos é felicidade. Isso a gente não encontra numa prateleira e nem compra em freeshop”, filosofa Fernando.

Uma coisa ambos garantem: o primeiro passo é o mais difícil. Agora, porém, o mais difícil parece ser viver como antes. As experiências do casal podem ser conferidas no site artedepartir.com. A trajetória completa da jornada deve virar um livro até o final do ano. Por enquanto, durante as viagens e o tempo de volta para casa, realizam algumas palestras mostrando como o desapego pode abrir espaço para uma série de experiências de vida. “Descobrimos que precisamos de muito pouco para sermos felizes”.

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