Ressaca: especialistas ensinam como se livrar dela

Enjoo, ânsia de vômito, irritação, indisposição e sede. Muita sede. Os sintomas da ressaca são velhos conhecidos, especialmente em época de confraternizações. O termo, inclusive, teve buscas recorde para um mês de dezembro, desde 2011, segundo o Google. Os domingos e o dia 25, logo após a ceia, foram os dias em que os brasileiros mais tentaram descobrir o que fazer para conter a sensação. Não há receitas milagrosas, mas, com a instrução de especialistas e entendendo o que acontece com seu corpo depois daqueles goles a mais, é possível evitá-la.

A ressaca é o resultado da ação do álcool principalmente em três órgãos do corpo humano: cérebro, fígado e estômago. O fígado o metaboliza, quebra e transforma em substâncias menores, como o acetaldeíldo, responsável pela sensação de indisposição do dia seguinte e pelos “apagões”. Isso porque, para ser eliminado, ele ocupa as vias do fígado que transformam a gordura em glicose, fonte imediata de energia para o corpo. Além disso, ele também está ligado àquela sede insaciável, porque elimina a glutationa, que regula a produção do hormônio antidiurético (ADH) – o mesmo que te faz ir ao banheiro com tanta frequência. Para cada 250ml de bebida alcoólica ingerida, o corpo elimina até um litro de água e é essa desidratação que causa dores de cabeça, já que ela aumenta a pressão nos vasos sanguíneos.
“O álcool ainda age no cérebro competindo com o neurotransmissor GABA, imprescindível para que você não fique irritado ou deprimido. E é por isso que você se sente exatamente assim no dia seguinte”, explica o médico clínico geral do Hospital Memorial de Jaboatão, José Aírton de Araújo. Outra ação prejudicial do álcool acontece ao ser metabolizado no tecido do estômago, criando os enjoos e as ânsias de vômito. Eles acontecem porque a substância tóxica agride a mucosa gástrica, o que eleva a produção de ácido clorídrico no organismo.

créditos: Edvaldo Rodrigues/DP

O passo a passo da recuperação

Para evitar a ressaca, o médico aconselha atuar nos três fronts contra o álcool. “Não ingerir alimentos ácidos para não irritar ainda mais o estômago, estar sempre se alimentando de olho na glicose e se hidratar bastante”, ensina o clínico José Airton de Araújo. O conselho é ainda mais válido se, durante a farra, a água também estiver no cardápio, evitando a desidratação.

De acordo com a nutricionista do Hospital Santa Joana Rosana Almeida, ressaca deve ser combativa com alimentação leve e regada nos sucos de frutas. “Sucos como os de beterraba, maçã e cenoura são ótimos para desintoxicar. Principalmente se adicionarmos gengibre ou hortelã”, explica.

“Os sucos têm frutose, que também é um componente energético e, se a pessoa não tiver problemas com açúcar, ela adiciona uma colher, para ajudar com a falta de glicose.” A frutose também ajuda diretamente no metabolismo do álcool no fígado. Segundo Almeida, mesmo que o dia seguinte seja uma tortura, não é interessante ficar sem comer. Uma salada com vegetais folhosos e legumes é a orientação da especialista. “Carne não é bom, porque dá trabalho para digerir ao corpo, já debilitado. Mas um filé de peixe, um queijo branco ou um peito de frango são boas fontes de proteína”, ensina.

Manhã do dia 1 de janeiro em Boa Viagem. créditos: Ricardo Fernandes/DP.

São aconselháveis:

Não são aconselháveis:

Leite e Ovos

Contêm cisteína, que ajuda a quebrar o acetaldeíldo, grande vilão da ressaca.

Sucos

A frutose dos sucos ajuda a repor energia e a metabolizar o álcool no fígado.

Café

A cafeína é mais um resíduo a ser liberado e dificulta o metabolismo do álcool.

Mais álcool

Beber mais apenas adia a ressaca porque a embriaguez camufla os sentidos.

Paulo Trigueiro

Paulo Trigueiro

Repórter

Paulo é jornalista e psicólogo. Escreve para o Diario desde 2013 e integra a equipe de dados do jornal desde novembro de 2015. Fica bêbado com três copos e, sim, a reportagem foi inspirada por uma experiência própria.

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