Em busca da memória: estudantes pernambucanos vão à final de olimpíada de história

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Um total de 33 alunos participa, em São Paulo, de última fase de disputa sobre história do Brasil que envolveu 36 mil estudantes do país

 

De 12 mil grupos de alunos inscritos na Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), 11 equipes pernambucanas chegaram à final, realizada nos próximos dias 19 e 20 de agosto. São trios de alunos, orientados por um professor, disputando um título nacional na Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo. Em 2017, oito equipes, com 24 alunos e um professor, da Escola de Aplicação do Recife participam da fase presencial, depois de vencerem cinco fases online. A disputa pelo título nacional será travada com um total de 311 equipes brasileiras.

“O segredo é se preocupar um com o outro. Eu estou com eles; então a gente se junta, dá as mãos e faz esse sonho acontecer”

Ivan Lima

Professor e orientador das equipes

Entre os finalistas, quatro trios do 3° ano do Ensino Médio, um trio do 2°ano e outros três do 1° ano. O destaque evidente tem explicação. “O segredo é se preocupar um com o outro. Eu estou com eles; então a gente se junta, dá as mãos e faz esse sonho acontecer”, comentou o professor e orientador, Ivan Lima, de 29 anos. O espírito coletivo concretiza o “sonho olímpico”, pois o acordo entre as equipes é que se faltar recurso para um aluno que seja, nenhum deles viaja.

“Ivan frisou que o objetivo era fazer com que os meninos se despertassem para buscar esses recursos. Tudo foi feito pela coletividade e os custos da viagem estão todos pagos”, disse Marçal Lima, pai de um dos alunos. A disputa é realizada desde 2009 e desde a primeira edição que a Escola de Aplicação do Recife participou, teve representantes na final.

Desde 2012 comprometido em incentivar adolescentes a participar do projeto, Ivan e os alunos se envolveram na tarefa de arrecadar R$ 17 mil, valor mínimo para subsidiar os custos da viagem, além de tentar conseguir o financiamento das passagens aéreas para todos.

A Secretaria Estadual de Educação arcou com a despesa das passagens e algumas instituições privadas abraçaram a campanha por meio de doações. “Quando sai o resultado [da 5ª fase], eu já começo a me mobilizar. Mando e-mail para várias empresas, peço doação de camisas aos grandes clubes de futebol de Pernambuco, recebo doações de outros professores, de cursinhos, enfim. Quando chega o último centavo, é muito gratificante”, explica o orientador.

Com muita dedicação e união, os alunos puseram, literalmente, a mão na massa para conseguir os últimos recursos. “Vendemos brigadeiros, brownies, cupcakes e rifas de camisas de futebol que foram doadas. Temos que perder a timidez nessas horas e encarar muitas vezes o ‘não’ das pessoas, por uma causa muito importante para nós”, comentou a estudante do 2º ano Dara Regis Santos, de 16 anos. Para Pedro Henrique Valença, 15, o propósito da Olímpiada alcança níveis práticos. “A ONHB nos ajuda a exercer a cidadania de uma forma mais concreta”, ressalta.

Como premiação, a ONHB oferece 15 medalhas de ouro, 25 de prata e 35 de bronze. Certificado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) também são entregues a todos os participantes da competição, desde a primeira fase. Para os professores orientadores, a Unicamp oferece gratuitamente um curso de formação, com duração de uma semana.

O processo de treinamento e preparação é feito de maneira voluntária, tanto por parte dos alunos, quanto por parte do professor. As aulas voltadas para a competição duram até três horas e são ministradas nas manhãs de sábado. Nos encontros, cada um expõe as dúvidas que tiveram ao longo da semana e debatem. A dedicação é intensa e, com ela, o bom aproveitamento, porém ninguém fica isento dos grandes desafios.

“A maior dificuldade é conciliar a escola com a ONHB. Por vezes, a gente acaba perdendo conteúdo escolar, porque faltamos a aula para resolver exercícios, por exemplo. A gente precisa escolher em que vai focar”, frisou Helena Gico, 15, do 1º ano.

ONHB/Divulgação

“Quando estudamos mais profundamente os fatos históricos conseguimos obter informações que o senso comum não tem”

Brenda Clemente

Estudante

O crescimento cognitivo dos estudantes é, de fato, muito significativo, o que torna ainda mais importante a participação de cada um. “Quando estudamos mais profundamente os fatos históricos conseguimos obter informações que o senso comum não tem, porque usamos artigos, teses de doutorado, enfim, coisas bem mais críticas, com embasamento de pesquisa”, afirma a terceiranista Brenda Clemente, 17.

O professor de psicologia especializado em tecnologia da educação, Luciano Meira, reforça cientificamente o quanto o espírito coletivo pode protagonizar uma conquista. “Ninguém se torna um sujeito completo sem a construção do coletivo. Entende-se por coletividade grupos que compartilham formas de vida”, conclui. Para descrever a experiência olímpica e explicar a sua vivência e a dos seus alunos, o professor Ivan parafraseia o cantor Belchior: “O meu delírio é a experiência com coisas reais”. Para a equipe representante da Escola de Aplicação do Recife na Unicamp, só há um sonho: o cotidiano e real, de, unidos, terem participação ativa no desenvolvimento de um mundo mais justo, uma história que faz parte de suas vidas e que ajudam a construir.

Laís Leon

Laís Leon

Repórter

Laís é estudante de jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco e escreve para o Diario desde 2015, passando pela editoria de redes sociais antes de integrar a equipe do CuriosaMente. É fã de história, mas nunca venceu uma olimpíada.

Peu Ricardo

Peu Ricardo

Fotógrafo

Peu Ricardo é fotógrafo do Diario de Pernambuco desde dezembro de 2015. Com suas lentes, não apenas estuda, como ajuda a documentar a história que temos vivido no estado.

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