Qualquer um pode ter memória de Sherlock Holmes

BBC/Divulgação

Uma boa memória pode até ser uma capacidade inata para alguns. Mas um estudo conduzido pelo Centro Médico Universitário Radboud, em Nijmegen, na Holanda, afirma que qualquer um pode melhorar sua memória com o treinamento adequado. Segundo a pesquisa, que foi notícia no jornal britânico Daily Mail, pelo menos 30 minutos diários de treino, durante 40 dias, já são suficientes para aprimorar permanentemente a capacidade dos indivíduos em armazenar informações.

O autor do estudo é o Dr. Martin Dresler, professor-assistente de neurociência cognitiva do Centro. Primeiramente, ele analisou 23 “atletas da memória” – indivíduos que participam de competições nas quais são testadas as capacidades de memorização – e de outras 23 pessoas de habilidades mnemônicas padrão, com idades, condições de saúde e inteligências similares às dos atletas. Através de ressonâncias magnéticas, ele constatou que não havia diferenças consideráveis nas anatomias dos cérebros dessas pessoas – mas sim nos padrões de suas conexões neurais, espalhadas pelas cerca de 2500 ligações presentes em nossos cérebros.

Uma vez que os atletas da memória, segundo o Dr. Dresler, passaram anos estudando diversos dispositivos mnemônicos para aumentarem essa capacidade, a pequisa então submeteu outras pessoas com memória padrão a um regime de treinamento. A técnica utilizada? A mesma de Sherlock Holmes: o chamado “palácio mental” – também conhecido como método de loci (plural de locus, que em latim significa “lugar”).

Para criar um palácio mental, a pessoa deve escolher um local com o qual tenha familiaridade e tentar lembrar de com o máximo de detalhes possíveis. Assim, quando se deseja memorizar algo usando o método (uma lista de objetos, por exemplo) deve-se “espalhar” os itens a serem memorizados pelo local escolhido pelo seu palácio e “andar” por ele, observando os objetos, de modo a se lembrar de tudo que foi colocado ali.

Assim, Dresler recrutou outras 51 pessoas e as dividiu em três grupos: um deles passou por treinamentos para memória estratégica (com o objetivo de decorar listas); um outro, para memória de curto prazo (no qual foi estimulada a memorização de sequências diversas); já o terceiro grupo não passou por treinamento algum. Os cérebros de todos foram analisados antes e depois do processo.

De acordo com os resultados apresentados, antes do treinamento, os participantes conseguiam se lembrar de uma média de 26 a 30 palavras. Aqueles submetidos ao treinamento para memória estratégica passaram a se lembrar, em média, de 35 palavras a mais; já aqueles que treinaram as técnicas para memória de curto prazo conseguiam se lembrar de mais 11 palavras. Os que não tiveram nenhum treinamento se lembravam de sete palavras a mais. Nas ressonâncias magnéticas, os padrões neurais dos indivíduos sob os treinamentos passaram a lembrar aqueles apresentados pelos atletas da memória; e mesmo sem a continuidade dos treinamentos, quatro meses depois os participantes ainda apresentavam uma alta capacidade de memorização.

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