Pernambuco dentro da ascensão profissional do boliche

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Quase todo mundo conhece o boliche, mas nem todos sabem como ele é jogado. A maioria das pessoas que já participaram de  uma partida do jogo, foram traçados pela diversão. Porém, existem aqueles que vêem o boliche como um esporte profissional, e eles precisam de diferentes atributos para uma boa partida. Bola, pista, sapato, óleo, fita e luva. Essas são algumas das coisas que os atletas precisam  observar e saber escolher para dar um up na jogada. 

Apesar da diversão, o boliche praticado de forma profissional exige certo investimento. As bolas usadas nos jogos são importadas, assim como os sapatos. Cada furo é feito de acordo com a mão do jogador, e neles, uma borracha especial para não machucar os dedos. Os sapatos contam com uma sola melhor, que adere a pista de forma suave e facilita as passadas para o arremesso da bola. Vindas dos Estados Unidos e furadas em São Paulo, cada bola pode chegar a custar até R$1.300,00 e os sapatos tem uma média de custo de R$600,00 o par. E, não para por aí. Dependendo do nível de profissionalismo do jogador, existem vários outros acessórios que pode ser usados durante a partida. Luvas para evitar torções, fitas adesivas para serem usadas nos dedos para melhorar a aderência a bola, óleos especiais que servem para lustrar as pistas e bolas e até um pó de giz especial. 

O estado conta com a Federação Pernambucana de Boliche (FPEBOL) que tem atualmente 38 atletas associados. O número, comparado com os 400 associados do estado de São Paulo, por exemplo, pode não parecer muito mas é otimista. Recife passou quatro anos sem pistas de boliche, somente em 2012  as pessoas puderam voltar a desfrutar do jogo. Os associados praticam profissionalmente o esporte e disputam taças e torneios locais e inter-estaduais que acontecem durante todo o ano. Não necessariamente o atleta precisa ser pernambucano para disputar pela taça Recife, basta ser associado à Federação e competir pelo estado. O presidente da Federação, Ivan Oliveira, conta que o time é composto apenas por homens, por conta da falta de procura do próprio público feminino para a prática do esporte. Os treinos, que são feitos duas vezes por semana, tem duração média de 3 horas e são praticados na única pista automática profissional do estado, localizada no Game Station Bowling, no shopping RioMar. 

atletas associados a FPEBOL

horas de treino por semana

taças conquistadas em 2016

Júlio Jacobina / Esp. DP
Júlio Jacobina / Esp. DP

Nelson Tachiban, de 54 anos, foi um dos primeiros jogadores a ingressar na Federação. Em 2012 ele teve seu primeiro contato com o esporte, durante as épocas estressantes no trabalho, e usava o boliche como válvula de escape. Com o aumento da frequência às pistas, a diversão acabou se tornando paixão. Hoje, a maioria de suas jogadas resulta em um strike e ele gosta de ensinar a todos, com muita paciência, todos os truques para se dar bem no boliche. “Este é um jogo de observação. Você tem as marcas no chão para saber aonde começar e ver qual o centro da pista, mas truques como dar as passadas corretas e calcular a curva que a bola irá fazer é essencial para acertar o strike”, explica Nelson.

Por mais que esteja a cinco anos jogando boliche, Nelson ainda não considera o fato como sua profissão. Ele conta que não vive apenas da renda da Bolsa Atleta, programa de incentivo oferecido pelo Ministério do Esporte aos atletas brasileiros, e que atualmente está desempregado. Para conseguir o incentivo é necessário fazer inscrição através do site, preencher os pré-requisitos e entrar na lista de espera para mostrar, através da sua pontuação nas competições, que merece a bolsa. Poucos jogares conseguem, devido ao corte de investimento no programa.

Ivan, que também é diretor da Confederação Brasileira de Boliche (CBBOL), conta que o esporte, por pouco, não foi incluído nos jogos olímpicos de Tóquio, em 2020. Porém, a esperança para as olimpíadas de 2024 continua alta. “Foi por muito pouco que não conseguimos incluir o boliche como esporte oficial para competições nas olimpíadas de 2020. O esporte acabou não passando para a etapa final, onde os finalistas são escolhidos para participar do circuito. Acredito que o boliche tem tudo para finalmente participar de uma competição tao importante como as olimpíadas. Seria um ótimo ver tantos profissionais disputando pelas medalhas”, explica.

Ele conta também que a chegada de uma pista profissional de qualidade em Recife foi ótimo para os atletas pernambucanos. Nos quatros anos que o estado ficou em carência, os associados a Federação tinham que percorrer mais de 800 quilômetros para realizar os treinos em Salvador, na Bahia. “Antes o deslocamento da equipe era um grande problema, mas agora nós temos uma parceria com o boliche do RioMar. Das doze pistas, seis são reservadas para os treinos profissionais, além de benefícios como preço mais em conta que estimula os associados cada vez mais a praticar o esporte”, explica Ivan.

Júlio Jacobina / DP
Júlio Jacobina / DP

Desde o tempo dos primórdios

Quando se fala sobre a origem do boliche, são várias as teorias. Entre elas, a história que conta a viagem de um jovem arqueólogo inglês, que visitava a área de Kom Madim, província de Al Faiyum, a 100 km da capital do Egito. Ao entrar na tumba de uma criança egípcia, ele teria encontrado objetos similares aos usados no jogo: pinos e bolas. Porém, outra história conta que o boliche nasceu por volta do Século III ou IV, na Alemanha. Nessa época o jogo tinha conotação religiosa e era jogado com 9 pinos dispostos em forma de losango. Os fiéis jogavam pedras em direção à um bastão denominado “Kegel”, que representava o céu  e dessa forma quem conseguisse derrubá-lo, estaria livre dos pecados.

Wikipedia / Reprodução

A versão mais parecida com a que temos hoje, surgiu no século XIX, no Estados Unidos. Os americanos batizaram esta versão como “ten-pin bowling” ou “boliche de dez pinos”, dispostos em forma triangular. As regras atuais do boliche foram criadas em 1875, quando surgiu a Associação Nacional de Boliche dos Estados Unidos (USBNA). Para quem é leigo no assunto, entender a pontuação e regras do jogo pode parecer um pouco complicado. Para emplacar a partida perfeita é necessário acertar os doze strikes, completando 300 pontos. Se não conseguir de primeira, cada jogador sempre tem duas chances para tentar derrubar os dez pinos e esses estilo de jogada dá chance aqueles que começaram o jogo com o pé esquerdo, de reverter o placar.

Eduarda Bagesteiro

Eduarda Bagesteiro

Repórter

Eduarda é estudante da Universidade Católica de Pernambuco e estagiária do Diario desde março.

Júlio jacobina

Júlio jacobina

Fotógrafo

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