Núcleo do Sol é mais quente e gira 4x mais que superfície

NASA / Divulgação

Um estudo realizado pela Universidade de Los Angeles, na Califórnia, trouxe à tona uma descoberta que já vinha causando discussões no meio científico. A ideia de que o núcleo do sol pudesse girar mais rápido que a superfície da estrela já era motivo de especulação, mas foi medida apenas em estudo publicado na revista Astronomy and Astrophysics“A explicação mais plausível é que a rotação do núcleo seja um resquício do período em que o Sol se formou, há cerca de 4,6 bilhões de anos. É muito emocionante pensar que descobrimos uma relíquia da formação do Sol”, explica Roger Ulrich, professor da Universidade e um dos autores do estudo, à BBC.

A rotação do núcleo solar também traz informações sobre o processo de formação do Sol. De acordo com Ulrich, após o nascimento da estrela, o que provavelmente desacelerou a rotação da superfície foram os ventos solares, que também têm impacto sobre as manchas do Sol – áreas com temperaturas mais baixas e elevada atividade magnética. Os pesquisadores responsáveis pelo estudo analisaram as ondas acústicas na superfície do sol, para calcular o tempo que as ondas levam para ir e voltar da superfície ao centro da estrela. Os cálculos se basearam em dados coletados durante 16 anos de observações, através de um instrumento chamado Golf (Global Oscillations at Low Frequency, em português: Oscilações Globais de Baixa Frequência).

Através dos dados do Observatório Solar e Heliosférico da NASA (SOHO), os pesquisadores conseguiram analisar que o núcleo do Sol gira em torno de si mesmo uma vez por semana, levando em torno de 4 horas e 7 minutos para completar a rotação, sendo quatro vezes mais rápido que a superfície solar, que varia entre 25 dias no Equador e 35 dias nos polos. A temperatura do núcleo também é outro fator que difere da superfície. Enquanto no centro da estrela a temperatura é de cerca de 15 milhões de graus Celsius, a superfície possui temperatura de 5,5 mil graus Celsius.

“É realmente especial ver o núcleo do nosso próprio Sol e poder obter uma primeira medida indireta de sua velocidade de rotação. Mas, mesmo que essa busca de décadas tenha terminado, uma nova janela de física solar agora começa”, disse Eric Fossat, astrônomo do Observatório da Costa Azul, na França, e um dos autores do artigo, ao Daily Mail.

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