Moda do fast food gigante conquista o Recife

Comer com os olhos deixou de ser só uma expressão, o tamanho dos alimentos é um diferencial na hora de atrair aqueles clientes mais famintos
Por Wagner Oliveira

 

Qual o tamanho da sua fome? Se você respondeu que é grande, saiba que existem lanches em medidas exageradas, que podem ser degustados em grupo ou por quem aguentar saborear os quitutes sozinho. Comer na rua, apesar da crise econômica que afeta o país, ainda é a opção para muita gente. Sabendo disso, comerciantes apostam em comidas que estão no gosto popular, praticando preços não muito altos e caprichando na quantidade ofertada. O Diario visitou alguns desses locais onde os lanches gigantes fazem sucesso entre os clientes. Um hambúrguer que pode ser comido por quatro pessoas, um superpastel, um cachorro-quente de 60 cm e uma tapioca que pode pesar até 315 gramas estão entre as opções.

No entanto, alguns cuidados precisam ser tomados na hora da alimentação para evitar problemas de saúde. A nutricionista do Hospital das Clínicas Andressa Spinelli alerta ainda sobre a qualidade dos alimentos consumidos fora de casa. “Independentemente do tamanho desses lanches, não se deve comer esse tipo de alimento no dia a dia. Eles têm substâncias que não são saudáveis. Frituras, gorduras e sódio, que fazem mal à saúde, podem ser encontrados em grande quantidade. Além disso, é preciso ficar atento à higiene dos locais onde os produtos são comercializados”, ressaltou.

Um hambúrguer alimenta quatro

Há quase duas décadas um hambúrguer gigante é comercializado pela Burgomestre, na Rua Joaquim Nabuco, nas Graças. A ideia, segundo o empresário Alexandre da Costa Carvalho, nasceu para atender a grupos de estudantes ou famílias com quatro pessoas. “Antes de abrir o negócio, conversei com minha esposa e meus filhos sobre oferecer um produto que não fosse caro e que pudesse servir até quatro pessoas, mas que fosse de qualidade. Daí surgiu a ideia do Burgomonstro, que é sucesso até hoje”, contou.

Rafael Martins/DP

São 400 gramas de carne ou frango acompanhados de queijo prato, milho com maionese, bacon, batata palha, alface, tomate, molho rosé e presunto defumado.

A carne utilizada no sanduíche é feita na própria lanchonete. O preço do lanche é de R$ 46,75, mas o proprietário do Burgomestre garante que dá para alimentar quatro pessoas. “A carne é do mesmo tamanho do pão. E usamos presunto defumado, além da nossa carne ser filé”, ressaltou Alexandre. Por sugestão de um cliente, surgiu também o Duplomonstro, que leva os mesmos ingredientes do Burgomonstro, mas com 800 gramas de carne. Esse ao preço de R$ 54,75.

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Mais de 300g de Tapioca

Em funcionamento há pouco mais de um mês na Rua do Futuro, no bairro da Jaqueira, a tapiocaria Peeense numa tapioca surgiu com a proposta de oferecer um lanche saudável aos seus clientes. O empreendimento, que nasceu da sociedade entre os empresários Renato Gouveia e Bruno Pontes, dispõe de 42 opções de sabores de tapioca, com preços que variam de R$ 8,90 a R$ 14,90.

“Antes de abrirmos o negócio, eu e meu sócio visitamos tapiocarias de vários estados do Norte e do Nordeste para poder trazer algo diferente. A primeira observação foi de que as tapiocas, em geral, eram pequenas. Por isso decidimos fazer nosso produto um pouco maior. As tapiocas têm 20 cm e pesam de 250 gramas a 315 gramas, dependendo do recheio escolhido”, ressaltou Renato.

Entre os sabores que têm mais saída estão as tapiocas com recheio de bolo de rolo, frango refogado com queijo, carne de sol com cebola caramelizada e charque com cebola caramelizada. O tempo médio para produção de uma tapioca é de três a cinco minutos. “Atualmente, estamos comercializando cerca de 100 tapiocas por dia e muita gente tem feito o pedido por telefone e já passa por aqui para pegar”, disse.

Superpastel tem até 25 sabores

Depois de trabalhar em um restaurante na cidade de Fortaleza, no Ceará, o empresário André Ribeiro decidiu se mudar para o Recife para abrir um negócio. Da capital cearense, André trouxe a ideia de fazer pastéis em tamanhos maiores que os vendidos no Grande Recife. Localizado em frente à Praça da Encruzilhada, na Zona Norte do Recife, o Skina Grill funciona há 12 anos e desde esse tempo vende seus superpastéis, como são chamadas no estabelecimento. “Esses pastéis gigantes são muito vendidos em Fortaleza, como aqui no Recife ninguém fazia, decidimos oferecê-los no nosso cardápio. A massa usada nos pastéis é feita por nós mesmos e o tamanho é de 30 cm de diâmetro”, afirmou André.

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Com 25 opções de sabores, os pastéis variam de R$ 16 a R$ 20. Segundo o proprietário do Skina Grill, dependendo do recheio, o alimento pode pesar até 1 kg. “A opção mais pedida pelos clientes é o de frango com queijo mussarela. Nesse pastel colocamos 200 gramas de frango e 150 gramas de queijo. Além dos sabores já oferecidos no cardápio, o cliente também pode montar o pastel com o recheio de sua preferência”, ressaltou o empresário.

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Hot dog tamanho família

Na Praça do Jordão, na Zona Sul, a SanDog’s virou point dos apreciadores de cachorro-quente. Há três meses, o universitário Jefferson Martins começou a vender um hot dog que tem atraído consumidores de outros bairros para a sua lanchonete. Com um pão de 60 cm, o novo produto tem gerado filas e, para comprar, é preciso pegar até ficha. São quatro salsichas acompanhadas de dois tipos de molho, tomate, milho, ervilha, batata palha, mostarda e ketchup pelo preço de R$ 12. “Os molhos que colocamos no cachorro-quente são caseiros e é uma receita da minha sogra. É um segredo de família. Ela já vende cachorro-quente há mais de 20 anos em outro ponto. O cachorro gigante começamos a vender faz pouco tempo. Uma padaria produz o pão especialmente para a gente”, afirmou Jefferson.

Entre as dezenas de clientes que esperavam seus hot dogs, um já era conhecido dos vendedores. O pintor automotivo Manassés Alves, 32 anos, disse que compra o lanche a cada dois dias. “Esse que sai no pão de 60 cm eu já comi dividindo com outra pessoa”, contou. A SanDog’s tem ainda unidades nos bairros de Três Carneiros, UR-5 e Jardim Monte Verde.

Wagner Oliveira

Wagner Oliveira

Repórter

Wagner é repórter do Diario há 10 anos. Escreve regularmente para a editoria Local, em especial no campo de segurança pública. É amante dos quitutes e temperos e, como na matéria, é adepto nos sabores “de muito”. É magro de ruim…

Rafael Martins

Rafael Martins

Fotógrafo

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