Maranhense chega ao Recife com 110 países na bagagem

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Engenheiro que pretende conhecer 120 países do mundo deve completar missão dentro de três meses

 

Visitas ao aeroporto têm valor sentimental para muitos, seja pela tristeza da despedida daqueles que vão para longe ou pela felicidade do reencontro após uma longa viagem. Para Luiz Thadeu Nunes e Silva, de 58anos, não é diferente. As largas janelas e ritmo apressado do Aeroporto Internacional dos Guararapes, zona Sul do Recife, podiam representar só mais uma escala nas viagens do engenheiro agrônomo, mas surgem como uma oportunidade de observar o comportamento e aproveitar a receptividade daqueles que estão ao redor. O maranhense deseja conhecer pelo menos 120 países do globo, e não mede esforços para que a meta se torne realidade.

A vida de Luiz Thadeu passou por uma reviravolta no ano de 2003, quando um táxi coletivo que tinha pego no Rio Grande do Norte colidiu de frente com um caminhão. Ele sofreu uma fratura exposta no fêmur, que transformou-se em uma osteomelite, infecção bacteriana nos ossos, após ser tratada. Desde aquele ano, após 43 cirurgias e alguns tratamentos, precisa do auxílio para andar. As muletas, um sinônimo de aprisionamento para tantos, transformaram-se em mais um incentivo para exercer a vontade de ir aonde quiser. “Passei quatro anos em convalescênça desde o acidente até tirar os últimos pinos. Isso aqui para mim é liberdade.”, lembra.

As primeiras viagens, ainda no ano de 2009, foram incentivadas e planejadas por um dos filhos, Frederico, de 27 anos. “Ele chegou a trancar três anos de faculdade para conhecer o mundo comigo”, lembra. Aos poucos, Thadeu foi tomando gosto pelas aventuras, e hoje faz questão de pesquisar e montar todo o percurso junto à família. Utiliza dias de férias, feriados e a flexibilidade do horário de trabalho para fazer as viagens. A princípio, foram oito países, que logo se transformaram em 110.

Em março de 2017, durante uma viagem à Ásia, deve conhecer os 10 restantes para bater a primeira meta. Depois disso, rumará aos 74 restantes. É categórico. “Quero pisar em todos os países do mundo”. Com Recife, o número de cidades conhecidas ultrapassa 550. Em algumas delas, fazendo escalas, não conseguiu conhecer muito além do aeroporto, mas não deixou de trazer impressões sobre cada canto que passou. “Dependia muito do lugar, mas o mais impressionante que encontrei foram os países mais pobres. Eles sempre faziam questão de trazer o melhor da cultura ao aeroporto”, recorda. De uma das imagens mais impactantes, lembra do folclore mostrado por nativos em um minúsculo aeroporto da Tasmânia.

Nando Chiappetta/DP

Próximo a alcançar o resto das metas, inventa agora novos desafios. Um deles é pisar em todas as ilhas oceânicas. “Samoa e Fiji são os próximos destinos”, brinca. Conhecer os quatro estados restantes para completar todo o Brasil também é um desejo. “Falta Acre, Roraima, Rondônia e Macapá. Em breve quero ter a parede inteira do escritório forrada com essas lembranças”. Como não conta com patrocínio e utiliza dinheiro do próprio bolso para pagar passagens e hospedagens, os destinos são quase sempre uma incógnita. As surpresas, porém, são sempre bem vindas.

Lorena Barros

Lorena Barros

Repórter

Nando Chiappetta

Nando Chiappetta

Fotógrafo

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