Harmonização à pernambucana: como combinar cerveja aos pratos típicos do estado

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De uma simples entrada a sobremesas, é possível identificar amargor e intensidade alcoólica ideais que combinem com o paladar nordestino

 

A harmonização das cerveja com as comidas é algo que pode ser feito para melhorar a interação da bebida com o prato. Para cada tipo de comida, seja ela um petisco, prato principal no almoço ou jantar, gordurosa ou mais leve e até mesmo sobremesa ou café
da manhã, existe uma cerveja que combina.

A mestre cervejeira e sommelier Laura Aguiar explica que se a comida tem um gosto mais intenso, a cerveja tem que trazer uma intensidade no mesmo nível, ou harmonizar por similaridade de ingredientes. “Se você está comendo um prato como, por exemplo, a buchada, que é um prato com um gosto muito intenso, além de ser bastante gordurosa, as cervejas IPA (India Pale Ale), de alto amargor e geralmente de alto teor alcoólico, trazem a intensidade necessária”, explica.

CAFÉ DA MANHÃ:

SUCO DE LARANJA E CUSCUZ \ WEISS

Para quem acha que o café da manhã não tem lugar para cerveja, está enganado. O Frühstück, conhecido drink que os alemães bebem no café da manhã, é feito com 60% de suco de laranja e 40% de cerveja Weiss, com base de trigo, que contém teor alcoólico mais baixo.

ALMOÇO:

BUCHADA \ IPA

As India Pale Ales (IPAs) são cervejas de alto amargor e geralmente de alto teor alcoólico. Serve bem com alimentos gordurosos e de gosto acentuados justamente por também ser intensa.

JANTAR:

FRUTOS DO MAR \ AMERICAN LAGER

De baixa graduação alcoólica, com sabor leve e refrescante, a American Lager é perfeita para acompanhar bolinhos de bacalhau, ostras temperadas, camarões e peixes. Uma fatia de limão no gargalo pode reforçar a acidez da cerveja.

SOBREMESA:

BOLO DE ROLO \ AURA LAGER

Com amargor presente e um leve dulçor característico do malte, a Aura Lager é capaz de equilibrar os sabores doces da sobremesa, mesmo da goiabada, dada a similaridade de seus sabores.

Cerveja made in PE exige experiência e vai muito além da arte

 

 

 

Até chegar “trincando” num copo de bar, a cerveja que você toma precisa ser degustada 370 vezes até ser considerada própria para o consumo. Parece muito, mas antes de tomar forma da bebida, tudo começa em apenas um grão, transformado industrialmente em um líquido doce, com toque de trigo ou milho. A informação é de um mestre cervejeiro com nada menos de 23 anos de experiência numa mesma empresa: Eduardo Tabosa, da Cervejaria Pernambuco, do grupo Ambev, em Itapissuma, a 40km do Recife.

E ainda que destaque que o parque de controle de processos da empresa que representa seja um dos mais tecnológicos do Nordeste, o especialista garante que não existe tecnologia que supere o paladar e o olfato humanos. “A tecnologia trabalha lado a lado com a produção cervejeira, porém, ainda não inventaram algo melhor para distinguir o amargor, identificar ingredientes e apreciar o aroma dos mostos e cervejas que o corpo humano, principalmente em nosso caso, mestres cervejeiros e sommeliers, que treinamos nosso paladar e olfato por tantos anos”, conta o engenheiro, com especializações na Alemanha e nos Estados Unidos. Numa fábrica da dimensão do complexo da Ambev em Pernambuco, a maior do Norte- Nordeste, o período médio para a produção de um tonel de cerveja é de 10 a 15 dias, cada um com o equivalente a 200 mil litros – por ano, são cerca de 1,3 bilhão de litros de 16 marcas de cervejas diferentes, o equivalente a 520 piscinas olímpicas cheias de cerveja!

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é o índice atual de reaproveitamento de resíduos

milhões de hectolitros são produzidos anualmente

marcas diferentes são produzidas na cervejaria de Itapissuma

é o número de vezes que uma cerveja é degustada antes de ficar pronta

Correspondente a 95% da cerveja, não é de se espantar que a gestão da água de uma fábrica de cerveja seja uma preocupação ambiental – para se ter uma ideia, são gastos cerca de 3,2 litros de água para cada litro de bebida produzida. Por isso, toda a água não utilizada no produto, na fábrica da Ambev, é tratada e reutilizada, em especial na higienização de mãos ou ambientes, representando uma economia de 40% no consumo de água total na empresa.

9 passos para fazer cerveja

1ª etapa: Moagem do malte

Após ser colhida da plantação, a cevada é levada para moinhos especiais que cortam a casca e liberam o amido para o processo seguinte.

2ª etapa: Mosturação

O malte é enviado aos tanques de mostura, onde ocorre a brassagem: processo que mistura o malte com água para serem aquecidos.

3ª etapa: Filtração

A mostura atravessa um sistema de filtros que separa a casca da mistura. Depois de filtrada, a mostura passa a denominar-se mosto: a base da cerveja antes de ser apresentada ao processo de fermentação.

4ª etapa: Fervura

O mosto é colocado em um tanque onde recebe a adição de lúpulo, a planta responsável pelo amargor e aroma da cerveja. A mistura é fervida por cerca de 30 minutos.

5ª etapa: Resfriamento

Terminada a fervura, o mosto fervido com lúpulo é resfriado por trocadores de calor, para então receber a levedura.

6ª etapa: Fermentação

A fermentação tem um papel essencial na produção da cerveja, pois é nesta etapa que as leveduras transformam o líquido adocicado na tão desejada cerveja. A fermentação ocorre em tanques fechados,revestidos por uma camisa externa que permite a passagem de fluido refrigerante, onde a levedura  consome os açúcares fermentáveis do mosto gerando o álcool e o CO2.

7ª etapa: Maturação

A cerveja, obtida após a fermentação, é enviada a tanques de maturação, onde é mantida por períodos variáveis a temperaturas de aproximadamente 0°C.

8ª etapa: Pasteurização

A cerveja passa por uma fase de acabamento, onde recebe dióxido de carbono e outra substâncias que garantem a qualidade da bebida e seu tempo de prateleira nos estabelecimentos. O objetivo desta etapa é eliminar alguns micro-organismos que prejudicam características originais da bebida.

9ª etapa: Expedição

Após pasteurizada, a cerveja é encaminhada para a fase de armazenamento e expedição, para ser comercializada.

Eduarda Bagesteiro

Eduarda Bagesteiro

Repórter

Eduarda é estudante da Universidade Católica de Pernambuco e estagiária do Diario desde março de 2017.

Rafael Martins

Rafael Martins

Fotógrafo

Rafael é fotógrafo do Diario desde 2015.

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