Ex-moradora de caverna no Brasil vira escritora best-seller na Europa

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“Nunca pare de caminhar”. O conselho da mãe biológica de Christiana Rickardsson, a então Christiana Mara Coelho com 8 anos, foi traduzido e virou título do livro que conta a sua história: Sluta Aldrig Gå, novo best-seller da Suécia. A garota, de infância miserável, vivia numa caverna do Parque Estadual Biribiri, próxima à Diamantina, em Minas Gerais, antes de mudar-se para uma favela de São Paulo, até ser adotada por um casal de suecos. É sobre essa mudança de vida que trata o livro que emocionou os suecos.

Hoje com 33 anos, a brasileira tornou-se mais que autora de sucesso, mas criou a Coelho Growth Foundation, que ajuda crianças carentes no Brasil. É uma iniciativa para que meninos e meninas possam viver dias diferentes dos que viveu, desde o 15° dia de vida, quando a mãe Petronilia Coelho, a levou para viver em uma caverna. “Quando não encontrávamos o que comer na floresta, caminhávamos até a cidade e nos sentávamos na estação de ônibus para pedir esmolas e comida. Às vezes tínhamos sorte, e as pessoas eram gentis. Outros nos chamavam de ratos de rua, e cuspiam em nós”, disse, em entrevista à repórter Claudia Wallin, da BBC Brasil.

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A vida numa favela paulista viria depois da expulsão do local em que vivia, junto à mãe e ao irmão. Sem condições de continuar os criando, Petronilia os cedeu a um orfanato, onde foram adotados por um casal de suecos – ela, então, com oito anos de idade. A infância e adolescência foi passada em Vindeln, no norte da Suécia, pequena cidade de 2,5 mil habitantes, onde descobriu o que era a neve, um banho quente e onde substituiu o português como língua primária, hoje já esquecido pela garota.

O livro conta ainda o retorno de Christiana ao Brasil, em 2015, quando, aos 31 anos, voltou ao país em busca de suas origens e do restante de sua família brasileira. A obra, que teve tiragem esgotada e ocupou o segundo lugar na lista de mais vendidos da Suécia, será traduzido para o portugês por Fernanda Sarmatz Åkesson, pela editora Novo Conceito, no segundo semestre de 2017 e terá mil cópias distribuídas em favelas e bibliotecas brasileiras.

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