Central de Transplantes de Pernambuco completa 20 anos ultrapassando marca de 15 mil vidas alteradas

Trabalho de conscientização das famílias ainda enfrenta dificuldades, mas os últimos três anos marcaram recordes de transplantes no estado

Mais de 15 mil vidas que foram, no mínimo, modificadas completamente. Em 2015, completam-se 20 anos desde o primeiro transplante de órgão coordenado pela Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE). Nessas duas décadas, uma trajetória de evolução tem sido escrita. O que começou com pouco mais de uma centena de transplantes em 1995, acabou ultrapassando a média de mil procedimentos anuais desde 2008.

Juntos, todos os transplantados desde 1995 são mais numerosos que a população de 57 municípios do estado. As estatísticas, em si, já significam muito. Ainda mais quando é entendido o que, de fato, representam. São pessoas que poderiam estar sem enxergar, continuamente submetidas a tratamentos desgastantes para continuar vivendo ou mesmo aquelas que, mesmo com tratamentos agressivos, não estariam mais vivas.

Um casal, dois fígados e muitos aniversários

Nestas duas décadas, muitas histórias ganharam novos capítulos. É o caso de Maria Ferreira Ramos e José Gonçalves Ramos, ambos com 70 anos de idade. Os dois se conheceram em 1962 na Companhia de Tecidos Paulista, localizada na cidade de mesmo nome, na Região Metropolitana do Recife. Ela era fiandeira e ele desenhista mecânico, entre conversas e olhares começaram a namorar no mesmo ano. “Diz ele que eu era muito bonita”, conta Dona Maria sorrindo. “A mulher mais bonita de Paulista”, emenda Ramos.

Do namoro ao casamento foram quatro anos e, desde então, outros 49 – as bodas de ouro serão em 4 de abril de 2016 – passaram por muitas coisas juntos, mas uma delas foi a mais marcante. Os dois tiveram que ser submetidos a transplantes de fígado. Ela, em agosto de 2013, mês do aniversário de José. Ele, em março de 2014, mês do aniversário de Maria. “Somos o primeiro casal que passou por um transplante em Pernambuco”, conta ela com semblante orgulhoso.

Ele

Ramos tinha feito recentemente um procedimento para melhorar a circulação sanguínea, chamado bypass, para tratar uma trombose na perna direita. Ao voltar para casa, começou a ficar febril e sentir uma dor de cabeça muito forte, que mais tarde foi constatada como dengue hemorrágica. A doença culminou com a necessidade de amputação da sua perna direita, em fase final de cicatrização e acometida de uma hemorragia gerada pela doença. O procedimento deixou Seu Ramos bastante debilitado, ao todo foram cerca de seis meses de internamento no Hospital das Clínicas, três deles na UTI, em coma. “Até uma prima minha da Paraíba veio me visitar enquanto eu estava em coma porque os médicos falavam que a situação era crítica”, conta Ramos.

Ela

Durante a noite daquele mesmo dia, a dengue hemorrágica também começou a manifestar sintomas em Lia. Portadora da Hepatite C por quase quatro décadas, ela vinha passando impune pelo vírus até então, porém, a deficiência de coagulação provocada pela dengue acabou gerando uma hemorragia no fígado e a partir daí foram, também, quase seis meses internada. Entre os percalços enfrentados durante o internamento, começou a sofrer com o acúmulo de água nos pulmões, “chegaram a tirar 5 litros de líquido por dia”, relembra. Dos 69 kg da época, quase um terço foi embora e sobraram 48. Durante o tempo em que esteve internada, ficou na fila de transplantes até conseguir realizar o procedimento que salvou a sua vida.

Enquanto estavam internados – ela no Oswaldo Cruz e ele no Hospital das Clínicas -, nem Ramos, nem Lia, sabiam pelo o que o outro estava passando. Temendo que as notícias afetassem a saúde dos pais, os filhos do casal acharam melhor omitir a situação. “Para ela, dizíamos que ele estava em casa esperando ela voltar. Para ele, dizíamos que ela não podia visitar para não ficar doente”, conta Claudenise Ramos, uma das três filhas do casal – a única que mora com eles – além delas são mais dois filhos. Mas a hora de contar a verdade não tardaria.

Passados cerca de seis meses, tanto Ramos quanto Lia melhoraram e foram liberados pelos médicos exatamente no mesmo dia, ela já se recuperando do transplante, ele ainda enfrentando problemas no fígado. “Quando contaram pra mim o que tinha acontecido com ele eu desmanchei de chorar”, conta Lia. “Quando eu soube dela foi uma surpresa muito grande, mas ao mesmo tempo, tive muita satisfação de ver que ela estava em pé, que estava viva”, relembra Ramos. Seu Ramos, no entanto, ainda passaria por seu transplante.

A hemorragia, antes contida, por conta da amputação, se alastrou para o abdômen e voltou a atacar o fígado. Em casa, começou a ficar agressivo por conta da encefalopatia hepática, distúrbio cerebral gerado pela grande quantidade de substâncias tóxicas no sangue (que deveriam ser eliminadas pelo fígado). “Ele gritava o dia inteiro, as pessoas passavam na rua e vinham perguntar se estava acontecendo alguma coisa. Ele dizia que queria andar, ficou muito agressivo, ele não controlava o que fazia”, relata Claudenise. Com o agravamento da situação do fígado Ramos passou a se tratar no Oswaldo Cruz onde foi constatada a necessidade urgente de entrar na fila de transplantes. “Eu morri e depois ressuscitei. Nós dois passamos por mal bocados, não foi brincadeira passar por tudo isso”, resume Ramos. “Foi um processo muito longo, muito dolorido. Mas hoje estamos bem”, diz Dona Lia.

Os transplantes salvaram Seu Ramos e Dona Lia. A escassa esperança de continuar a viver foi substituída pelo direito de darem continuidade às suas vidas e acompanhar o crescimento dos oito netos e dos dois bisnetos. “A família sempre vem pra cá. Os aniversários normalmente são aqui”, explica Ramos. Uma coisa é certa: exemplos de superação não faltarão aos herdeiros.

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CURIOSIDADE

A fila do rim é a maior porque a doença renal crônica pode ser tratada paliativamente por hemodiálise até o transplante. Em média, a mortalidade é 6x menor em relação a quem necessita de órgãos como fígado e coração

15 mil histórias

A vida não se mede por um órgão, mas fica a fio por conta de um. E, nesses casos, se a angústia é pessoal e intransferível, é no do outro que se obtém uma solução. É a esperança da qualidade de uma vida que recomeça assim que outra termina.

julianne lucyJulianne Lucy Lins De Jesus
33 anos
Data dos transplantes: 30 de agosto de 2014, 28 de fevereiro de 2015 e 1° de março de 2015

“As vezes, olho para minha cicatriz e não acredito por tudo que passei”. Passar por um transplante é um processo desgastante por si só. Imagine passar por esse processo três vezes num intervalo de sete meses. Julianne Lucy Lins de Jesus, 33, viveu e superou esses obstáculos. “Escapei da morte três vezes”, conta.

Com hepatite crônica autoimune descoberta aos 11 anos, se acostumou com as dores na barriga que, vez por outra, insistiam em aparecer. Também entrou em sua rotina, sequências de medicamentos e a consequente queda na imunidade. “O que é uma gripe para você pode ser um internamento para mim”, relata. Talvez pela convivência, até certo ponto pacífica, com a doença, exceto por intercorrências pontuais, Julianne relaxou um pouco nos cuidados. “Chegou a um ponto que não dei a ela a atenção que merecia. Na adolescência bebi e quem sofre de fígado não pode nem sentir o cheiro de álcool”, relata.

Apesar das imprudências, apenas em 2014 o fígado foi motivo de maiores preocupações. No dia 30 de julho, saiu mais cedo do trabalho para realizar exames de rotina. Na ultrassom, foi constatado o acúmulo de bile no organismo e a situação já irreversível do fígado. Diante do quadro grave, ganhou prioridade na fila de transplantes. Um mês depois já havia recebido um novo fígado e tudo parecia resolvido. Entretanto, após alguns episódios de infecção, uma das artérias do novo órgão foi atingida por uma trombose, gerando a necessidade de um novo procedimento, realizado no dia 28 de fevereiro. Pouco depois de transplantado, o fígado parou de funcionar. Dada a gravidade, outro paciente, marcado para também receber um fígado naquele dia, acabou tendo que esperar um pouco mais e Julianne recebeu um terceiro transplante. “Se não tivesse outra pessoa agendada para fazer transplante depois de mim eu não teria chance nenhuma”, lembra.

Desde então, Julianne não sofreu intercorrências que fujam da normalidade. Agora, a torcida é para que o tempo passe e que a rotina possa retornar aos poucos à normalidade. “É tudo muito minucioso, me sinto um cristal, mas estou ansiosa para voltar ao trabalho, conviver com minhas amigas, e ter uma vida social normal com meu namorado”.

rebeca médulaRebeca Ellen dos Anjos Santos
16 anos
Data do transplante: 20 de maio de 2014

Aos 16 anos de idade, Rebeca já sabe bem o que é superação. Dois anos antes, aos 14 anos, descobriu ser portadora do Linfoma de Hodgkin, uma forma de câncer que se origina nos gânglios do sistema linfático, conjunto formado por órgãos e tecidos produtores de células responsáveis pela imunidade do corpo. O tratamento inicial é feito por meio de quimioterapia. Rebeca, por exemplo, passou por oito ciclos do procedimento em um período de cinco meses. Para isso, teve que deixar a terra natal, Salgueiro, no Sertão do estado, e vir morar na casa de apoio dos Amigos do Transplante de Médula Óssea (ATMO). Essa primeira fase do tratamento deu resultado, porém, não de forma definitiva. “Por sete meses ela ficou bem então fez o exame de novo e foi descoberta uma recaída”, explica a mãe, Jeanne Maria dos Anjos Santos.

Diante da reincidência da doença, a repetição do tratamento foi necessária. Mais três ciclos de quimioterapia foram realizados nos três meses seguintes, e dessa vez, temendo que a recaída voltasse a colocar a vida de Rebeca Ellen em risco, a equipe médica decidiu pelo transplante de médula óssea. Foi aí que entrou em cena o irmão dela, Mateus Henrique, 18. Nos exames, ficou constado a compatibilidade genética de 100% entre os dois. “Ele salvou a vida dela”, relata aliviada a mãe.

O alivio também é de Rebeca. Ela conta que desde o transplante não sente mais dor, nem tem febre e que a expectativa agora, é para retomar sua rotina com os amigos e familiares. “Sinto falta da escola, da minha família. Quero voltar logo pra lá”, conta Rebeca. Por enquanto, a rotina ainda é restrita, vivida basicamente na casa de apoio. “Por enquanto, só saio para consultas. Só às vezes a gente sai para algum outro lugar”, relata.

cândida córneaCândida Elizabete Ferro Cavalcanti
49 anos
Data do transplante: 28 de maio de 2015

“Eu pude ver de novo a beleza que a vida dá a gente”, conta Cândida Elizabete. Antes da cirurgia para o transplante de córnea, sua visão era bastante comprometida. Rostos, mesmo de perto, ficavam desfocados, com olhos e boca sem definição. “Eu reconhecia as pessoas pela voz, agora eu posso ver como meu marido é bonito”, brinca. A precariedade na visão foi gerada pela Distrofia de Fuchs, doença degenerativa que diminuía a cada dia a sua capacidade de enxergar. Após tratamentos, a única opção que restava era o transplante. Três dias após o procedimento, uma re-experimentação. “A televisão estava ligada e eu pude ver a bolinha do olho de uma boneca que estava aparecendo na TV. Naquele momento percebi que tinha dado tudo certo”, lembra.

A alegria de Cândida é proporcional à gratidão. “Rezo todos os dias por essa pessoa (doador) que foi embora e sou muito grata à família por ter permitido que isso acontecesse”. O fato de sentir na pele a sensação de precisar da ajuda das outras pessoas também ajuda na conscientização de toda família e a, consequentemente, ampliar a corrente de possíveis doadores. “As pessoas sabem que é importante, mas quando você recebe uma doação é que percebe o quanto. Toda a minha família já afirma que vai ser doadora”.

juliane lucy rinsDaniely Lucena de Araújo
28 anos
Data do transplante: 03 de julho de 2015

Uma década repleta de hemodiálises. Desde 1995,quando tinha 18 anos, Daniely Lucena, natural de Patos, na Paraíba, repetia o procedimento de filtragem do sangue três vezes por semana. O tratamento era realizado para amenizar os efeitos da doença renal crônica. “Vi a hora de morrer naquela máquina. Via outros pacientes morrendo, muita gente que conviveu comigo”, relembra. A cada semana, o tratamento se repetia e a espera também.

Foram sete anos na fila para o transplante de rim em Campina Grande. Sem perspectivas, e cansada da espera, veio ao Recife para realizar consultas e ser colocada na fila da Central de Transplantes de Pernambuco. Na capital pernambucana, diante da gravidade de seu quadro e da velocidade maior no andamento da fila, a espera foi de apenas um mês. “Eu nem acreditei, pensei que era um trote. A viagem toda fiquei sem acreditar, só tive certeza quando cheguei no Recife”, conta.

Depois do transplante, ficou mais dois meses na cidade, repousando em local alugado junto com a mãe. Agora, as viagens ocorrem a cada oito dias, apenas para acompanhamento médico da recuperação que segue sem grandes percalços. “Já estou até vindo sozinha, antes tinha medo de viajar até acompanhada”. Com rins novos, Daniely começou uma nova vida, repleta de coisas que para outros soam comuns. “Agora posso beber quanta água quiser, posso acordar a hora que quiser sem me preocupar com o horário da hemodiálise, e principalmente, não preciso mais dela”, comemora.

lindomar pâncreasLindomar Alves da Silva
44 anos
Data do transplante: 28 de agosto de 2012

Com um mês de nascido, Lindomar fez a primeira viagem de sua vida. De Garanhuns para o Recife com a sua avó, fugindo da seca que atingia o município do Agreste em 1971. Sua mãe ficou e, na capital pernambucana, Lindomar foi deixado com uma tia, a quem, pela convivência passou a chamar também de mãe. Com ela, já aos 14 anos, migrou novamente. Do Recife repetiu o caminho percorrido por milhões de nordestinos, em direção a São Paulo. Lá, começou a trabalhar como autônomo na confecção de sapatos e sandálias.

Foi na capital paulista também onde descobriu que era diabético. O Diabetes tipo 1 seria uma companhia incômoda, propulsora de outros problemas enfrentados por Lindomar. A desordem era resultado da incapacidade do pâncreas em gerar insulina por conta de um defeito no sistema imunológico. Ele conta que em 1987 chegou a passar um mês em coma por conta da falta de insulina no organismo. Lindomar reconhece que foi relapso com o diabetes, achava que as duas doses diárias de insulina resolveriam tudo. Ele perceberia depois que não era tão simples. Em 1999, uma nefropatia diabética começou a gerar complicações nos rins. Em 2001, os problemas atingiram os olhos, culminando com um descolamento de retina. Sem conseguir enxergar direito, não conseguia mais emprego e voltou com a tia para o Recife. “Eu não conseguia mais trabalhar. No Recife, pelo menos, temos casa própria, lá, vivíamos de aluguel”, explica.

De volta ao Recife, vivia uma vida normal, na medida do possível. A partir de 2008, começou a fazer hemodiálise para tratar os rins, processo que persistiu por três anos. No mesmo ano, entrou na fila de transplantes. Para ele não bastavam novos rins. Por conta da debilidade na produção de insulina, só com um novo pâncreas estaria realmente curado. O procedimento foi realizado em 2012 e curou o diabetes de Lindomar. “É outra vida. Completamente diferente. Vivo sem preocupação, como com mais tranquilidade. Insulina, se Deus quiser, nunca mais”.

benivaldo coraçãoBenivaldo Euclides Ferreira
51 anos
Data do transplante: 13 de julho de 2012

Benivaldo Euclides Ferreira vivia sua rotina normalmente. Nascido em Alagoas, veio ao Recife em 1998 e logo conseguiu um emprego de mecânico. A profissão exigia bastante esforço físico, e foi exercida sem problemas até o ano 2000, quando alguns sintomas passaram a marcar presença na rotina de Benivaldo, então aos 36 anos. “Eu comecei a sentir muito cansaço. Mesmo quando não fazia um esforço muito grande começava a faltar fôlego”, relata. Com a persistência dos sintomas, ele decidiu procurar um médico. Feitos os exames, o cansaço excessivo se justificou. Foi constatada uma cardiomegalia. Em outras palavras, o coração de Benivaldo estava maior que o tamanho normal. Na prática, ao crescer, o coração perdeu força e já não tinha a mesma capacidade de bombeamento do sangue. A partir daquele momento, a rotina dele foi mudada.

Por doze anos, os sintomas seguiram se agravando. As saídas com a esposa deram lugar a incontáveis idas e vindas ao hospital. Diante da ineficiência dos remédios, teve que receber um marca-passo, para auxiliar na sincronia dos batimentos cardíacos e controlar a doença. Em meio a tudo isso, em 2009, um Acidente Vascular Cerebral ainda cruzou o caminho de Benivaldo. “Cheguei a ficar cinco meses internado. Não conseguia nem andar mais”, rememora. Mesmo com marca-passo, a situação seguia grave. Em 2010, Benivaldo entrou na fila de transplantes e, após pouco mais de dois anos de espera, teve de novo um coração normal no peito. Foi o primeiro transplantado adulto da história do IMIP.

Coração novo, vida nova. E as mudanças foram muitas. Para evitar problemas cardíacos ele conta que não pega mais peso, não come gordura, açúcar ou sal. A profissão de mecânico ficou no passado, substituída pela aposentadoria. “O que importa é que minha vida hoje é normal. Graças a Deus nunca tive nenhum problema novo”. Tudo que passou também serviu para se conscientizar sobre a importância da doação de órgãos. “Todos deveriam fazer isso. Poderia salvar muitas vidas assim como salvou a minha”.

Uma fila de espera que deveria andar mais rápido

Segundo dados atualizados pela CT-PE em junho deste ano, a fila de espera para a doação de órgãos no estado é composta por 1303 pessoas. Em comparação a outros anos, a diminuição é significativa. De 2007 até este ano, por exemplo, o número de pessoas na espera reduziu em quase 80%. Esse percentual, no entanto, poderia ser ainda maior se a recusa de familiares para doação dos órgãos dos parentes falecidos, não fosse tão alta.

Neste ano, entre janeiro e junho, dentre os familiares entrevistados de pessoas que morreram e contavam com órgãos aptos para doação, em média, em 55% dos casos houve rejeição das famílias. Em números absolutos, foram 92 pacientes Caso essas famílias permitissem a doação de órgãos de seus entes, os transplantes realizados este ano poderiam ter ocorrido em um número bem maior que os atuais 737. A fila de espera também seria reduzida, já que cada doador poderia mudar a vida de até 7 pessoas, sem contar os possíveis transplantes de pele e osso.

Além disso, é necessário explicar que a morte encefálica é morte, irreversível. Muitas vezes, conta Noemy, a família tem dificuldade em compreender que o coração continua batendo, mas o seu familiar não está mais vivo. Responsável pela coordenação de transplante de órgãos e tecidos da CT-PE, André Bezerra ressalta que o protocolo de morte brasileiro é um dos mais rigorosos do mundo. “O protocolo requer dois exames clínicos no intervalo mínimo de 6 horas além de um método que demostre em gráfico ou imagem a ausência de atividade cerebral”, explica.

André, inclusive, é mais um personagem que entra para história da CT-PE. Ele é um dos quatro funcionários que trabalham na Central desde antes da realização do primeiro transplante, mais precisamente desde dezembro de 1994, seis meses antes da inauguração. “Sou um dos remanescentes. Acompanhei essa história desde o começo”.

Fila em Pernambuco (por órgão)

Coração

Córnea

Fígado

Medula óssea

Rim

Rim e pâncreas

“Se a família nega a morte, é óbvio que também vai negar a doação dos órgãos”

Noemy Gomes

Coordenadora da CT-PE

João Vitor Pascoal

João Vitor Pascoal

Repórter

João Vitor a equipe de dados do Diario de Pernambuco desde junho de 2015. É doador de órgãos.

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