Pernambuco de todos os palcos: vídeos raros resgatam shows gringos históricos

Estado é palco de espetáculos de grandes nomes da música internacional há 80 anos e frequência tende a aumentar no futuro

Estamos apenas na metade da segunda década do século 21 e Pernambuco já recebeu, nestes cinco anos, quase tantos shows quanto havia sediado em todos os anos anteriores. A resposta rápida para esse aumento é, claro, a globalização e a tecnologia que permite que as distâncias sejam encurtadas. No entanto, há ainda a discussão sobre a qualidade e o timing de quem, de fato, se apresenta no estado.

Shows de estrelas reconhecidas, ainda no auge da carreira, já foram comuns no passado, mas hoje são raridades, como o caso da banda norte-americana Black Eyed Peas, que esteve no Recife em 2010. Artistas mais massivos como Maroon 5 e Coldplay, que desembarcam no Brasil no próximo ano, passam batido pela capital pernambucana, em detrimento de cidades nordestinas como Fortaleza ou Salvador – que, antes, receberam artistas do porte da cantora pop Beyoncé, num passado pouco distante.

Wilfred Gadêlha

Wilfred Gadêlha

jornalista e escritor

Foto: Leo Caldas

“O Recife é um palco de bandas médias”, avalia o jornalista autor do livro PEsado – Origem e Consolidação do Metal em Pernambuco, Wilfred Gadêlha, que defende o rock como uma exceção a essa regra. “Bandas como Iron Maiden, Megadeth ou Deep Purple, que estiveram na cidade nesses últimos anos, não respondem à lógica do ‘fim de carreira’ porque o público é bem fiel e diferente de outros gêneros. Quem vai num show vai em outros nos anos seguintes”, avalia.

Situação bem diferente de grandes nomes como Amy Winehouse, que, em 2011, usou a turnê brasileira, que incluiu o Recife, como uma espécie de pré-teste para a volta aos palcos oficiais após período de internações pouco antes de sua morte. Neste ano, Joss Stone também esteve no estado para show de projeto que pretende passar por todos os países, quase dez anos após estourar no mercado fonográfico e ser, de fato, relevante nas rádios.

A situação já foi diferente. Em 1985, por exemplo, a cidade recebeu a roqueira Nina Hagen num show histórico de meia lotação no Geraldão, pouco tempo depois de seu som e visual chamarem a atenção do público durante a primeira edição do Rock In Rio, no Rio de Janeiro, e se fazer “a novidade”. “Ninguém a conhecia, na época. Após o festival, comprei discos e saía de Pau Amarelo até o aeroporto apenas para comprar revistas importadas em que ela estivesse. Hoje, tenho contato com ela, que virou cantora gospel”, afirma o editor da principal página em português dedicada à artista, o radiologista Fábio Sales, 45

Seja na crista da onda, em fim de carreira ou mesmo como parte de uma longa trajetória sempre relevante, como os ex-Beatles Ringo Starr e Paul McCartney, que estiveram no estado em 2011 e 2012, espera-se que o estado passe a ser prioridade num futuro próximo para satisfação de um público sempre carente de espetáculos – e que, claro, a cotação do dólar permita as negociações.

Ed Wanderley

Ed Wanderley

Repórter multimídia

Ed é repórter multimídia do Diario, desde 2010. É amanta da música, em diversos gêneros. Só esteve em show de uma banda tida como “preferida” uma vez e imagina a emoção que os fãs pernambucanos sentiram ao ver grandes artistas no Recife. Da lista, só foi ao Black Eyed Peas.

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