Mulher é inocentada de bafômetro porque seu corpo “fica bêbado sozinho”

Ricardo Fernandes/DP

Até quem não bebe, por vezes, prefere evitar o bafômetro. Imagine então ser parado, obrigado a soprar o aparelho, não ter ingerido nenhuma gota de álcool e, ainda assim, ser “flagrado” no testo? Isso aconteceu com uma professora norte-americana, dde Nova York, pega com um nível de álcool no organismo quatro vezes superior ao permitido pela lei dos Estados Unidos – de 0,08%. Ainda assim, ela conseguiu ser inocentada. Acontece que o sistema digestivo dela produz “sua própria bebida”. Trata-se de uma doença raríssima, chamada síndrome da fermentação no intestino, ou como é popularmente chamada, síndrome da autocervejaria.

Segundo o Geek, a professora foi inocentada após apresentar exames médicos que comprovaram que ela tinha a doença para o tribunal e que a síndrome era a causa dela ter apresentado um índice de 0,34 de álcool no corpo, mas sem ter ingerido nenhuma bebida alcoólica. As acusações foram retiradas e ela vai começar o tratamento para a doença.

A síndrome é causada pela presença excessiva, no organismo, de um fungo, o Saccharomyces cerevisiae. Ele transforma açúcares dos amidos ingeridos pelo paciente, como massas e refrigerantes, em álcool, deixando a pessoa embriagada mesmo sem ter ingerido bebida alcoólica.

Divulgação/Universidade de Leicester

Células de Saccharomyces cerevisiae observadas com auxílio de microscópio eletrônico

Os apreciadores de cerveja conhecem bem esse fungo, família da levedura. O tratamento da síndrome é feito com a ajuda de remédios que combatem fungos e uma dieta de restrição de açúcares.

Outros casos

Não é a primeira vez que casos como esse são registrados. A BBC publicou, em março de 2015, a história de um homem que produzia altos níveis de etanol no corpo quando ingeria carboidratos. Os primeiros casos registrados da doença surgiram no Japão, na década de 1970. Só que nesses episódios a justificativa encontrada pelos pesquisadores e cientistas era a presença de uma enzima hepática anormal nesses pacientes, o que acabava fazendo com que eles não conseguissem se livrar do álcool em seus organismos. Só em 2005, um caso parecido com a da professora norte-americana foi registrado, no Texas, depois que uma amiga, saudável, da chefe de enfermagem e ciências da saúde,  em Panola College, Barbara Cordell, começou a demostrar sintomas de embriaguez e a pesquisadora começou a investigar o motivo.

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