Acerolândia, a Disney da acerola no coração de Paudalho

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Depois de ser introduzir a acerola no Brasil em uma plantação no Recife, pesquisadores da UFRPE auxiliaram o primeiro cultivo extensivo da fruta no país, em 1976, dessa vez, na cidade de Paudalho. O terreno de 40 hectares, às margens do km 86 da BR-408, pertencia a Alcindo Lins Lacerda, que viajou para as Antilhas com os estudiosos da Universidade e, de lá, também trouxe sementes. Ali nascia a Acerolândia, hoje uma espécie de ponto de parada obrigatória para quem visita a região. Com lanchonete, museu, e espaços de convivência e recreação, a empresa já se prepara para passar à terceira geração da família Lacerda.

“A primeira plantação não deu muito certo porque faltava o manejo, o espaçamento correto entre as mudas, esse tipo de orientação. Ela foi dada pelos pesquisadores, que já conheciam a planta e a mantinham na universidade”, lembra a atual dona da Acerolândia, Nádia Lacerda, filha do precursor, falecido em 2014. “Foi no final da década de 1980 que a fruta se popularizou, porque começou a se falar muito dos benefícios da vitamina C. Sabe-se que ela tem mais de 1,5g dessa substância. Enviamos mudas e sementes para quase todos os estados do Brasil e até para outros países da América do Sul. Atualmente, 20% do nosso terreno é plantado. O resto é dividido entre frangos de corte e a mata de preservação ambiental.”

A plantação passou a contemplar outras atividades no início dos anos 1990, quando passou a ser, de fato, chamada de Acerolândia e a vender polpas, geleias e doces de acerola, além de sorvete e picolés com mel de engenho. A jornalista Camila Sátiro, 30, lembra bem das guloseimas que comeu naquela década. “Para muita gente elas têm um ‘gostinho de infância’ porque os pais levavam os filhos dizendo para tomar o ‘picolé que cura‘. O meu fazia isso sempre que pegávamos a BR-408 e eu achava o máximo. A tradição, inclusive, continua. Já fiz isso com minha filha pequena e vou fazer com meu bebê, quando ele crescer”, conta.

A cura é lembrada pelos pais porque, mesmo depois de aquecida para a preparação das receitas, a acerola ainda pode guardar 400mg de vitamina C, mais que o triplo presente em uma laranja in natura. Em média, 6 mil picolés de acerola são vendidos por Nádia mensalmente. De polpa, sai uma tonelada. As geleias e os doces deixaram de ser fabricadas no ano passado, mas estarão de volta às prateleiras no segundo semestre de 2016. É também quando um passeio dentro da mata até uma espécie de mirante será disponibilizado aos visitantes.

Para os paudalhenses, um endereço é sempre melhor explicado quando se diz se é “antes ou depois da Acerolândia”. Localizada entre dois retornos na BR-408, a loja continua mantendo uma espécie de tradição em ser ponto de paradas mesmo depois da duplicação da via, em 2014. Além dos viajantes, grupos de motociclistas e ciclistas são assíduos – o balcão está repleto de adesivos dos motoclubes. O motorista Jecimar Andrade, 21, participa de um grupo de ciclistas que vai de Aldeia, em Camaragibe, até a Acerolândia e depois retorna. “Saímos às 6h45 e chegamos às 11h15, percorrendo mais de 40km. Na volta, são mais 30km, por um caminho mais objetivo. Nosso grupo faz isso a cada dois meses”, detalha enquanto se alimenta na lanchonete para se preparar para a volta.

No saguão da Acerolândia, estão expostos raízes de pé de acerola e de pitomba, bem como quatro placas de madeiras, feitas a partir de jaqueiras derrubadas para a construção da BR-408. “Derrubaram tantas dessas árvores sem nenhum tipo de preocupação em compensá-las que nós decidimos deixar esse registro aqui”, explica Nádia Lacerda.

Negócios, cultura e história

Na parte de trás da loja, um museu amador expõe diversos instrumentos eletrônicos obsoletos e peças utilizadas nos engenhos da região. As escolas da Zona da Mata Norte o visitam com frequência. Os artigos são, principalmente, doações. Entre os expostos mais importantes, um moedor de milho de mais de 150 anos, uma máquina de costura do século 17, um telefone fabricado entre 1910 e 1930 e uma casa de taipa em tamanho natural, mobiliada tal qual uma de verdade.

Principais peças do museu:

Moinho de Milho (século 19)

Telefone Stromberg Carlson (1910)

Máquina de Costura (século 19)

Paulo Trigueiro

Paulo Trigueiro

Repórter

Paulo é jornalista e psicólogo. Assina também as fotografias desta reportagem. É um dos viciados em acerola que arranja uma desculpa para passar por Paudalho e se jogar no sorvete da fruta…

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